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    Rede Municipal de Ensino retoma curso de primeiros socorros

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    No decorrer da primeira semana de maio, servidores da rede municipal de ensino participaram de aulas de primeiros socorros ministradas pelo grupamento local dos bombeiros militares. Resultado de um projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores em junho de 2018, essa é a segunda vez que o treinamento ocorre. A primeira foi em abril de 2019, quase um ano após a promulgação da Lei 2.657, que instituiu a obrigatoriedade. Naquela ocasião, 480 profissionais da rede pública obtiveram a capacitação. Três anos de interrupção depois, motivada principalmente pela pandemia, 1.200 pessoas passaram pelo Centro Cultural Palco das Artes, no bairro Vila Nova, para revisar seus conhecimentos relativos a procedimentos de emergência.

    Autor da lei, o vereador Diogo Santos (MDB) citou a retomada do treinamento (que a legislação prevê seja reprisado anualmente) em fala na tribuna no dia 23 de maio. O parlamentar destacou a importância da iniciativa, coordenada pela Secretaria Municipal de Educação e considerada por ele uma “referência”. Idealizado após sugestão de um casal de servidores públicos municipais, o projeto antecede a Lei Lucas, como é chamada a lei federal 13.722, sancionada em outubro de 2018 e que estabelece a capacitação em noções de primeiros socorros de professores e demais funcionários de escolas públicas e privadas de educação básica como norma nacional.

    Em setembro de 2017, Lucas Begalli Zamora, de dez anos, aluno de um estabelecimento particular de Campinas (SP), engasgou com um pedaço de salsicha durante um passeio escolar e sofreu asfixia. Como não havia quem soubesse realizar a manobra de Heimlich, procedimento de primeiros socorros usado para desobstruir as vias respiratórias superiores, a situação do menino agravou. Antes que o serviço de emergência chegasse, ele já havia sofrido morte cerebral, tendo falecido no hospital dois dias depois. Devastada pela perda, a família iniciou uma campanha de conscientização que culminou com a Lei Lucas, que passou a vigorar em abril de 2019.

    No caso de Porto Belo, foi um incidente ocorrido em 2018 na extensão do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) Lauro Prado, no bairro Vila Nova, que inspirou a legislação. Na época, uma criança caiu no parquinho e bateu a cabeça. O caso não teve maior gravidade, mas revelou a dificuldade dos profissionais da unidade em lidar com a situação. Nathalia Bianca Fernandes, que na época era monitora no NDI, não presenciou a cena. Se tivesse visto, saberia o que fazer: ela e o marido, o técnico de tributos da Prefeitura Paulo Augusto Vicente, haviam concluído o Curso Básico de Atendimento a Emergências (Cbae) que o Corpo de Bombeiros oferece ao público em geral. Conversando sobre o caso, concordaram que seria importante que o pessoal envolvido no dia a dia da educação básica tivesse algum preparo para agir em caso de acidentes. Levaram a ideia a Diogo, que a abraçou.

    “A gente viu que tinha projeto em trâmite, mas não tinha nenhuma lei específica, nem em Santa Catarina, nem no Brasil. Depois, algumas câmaras entraram em contato com a gente, pedindo uma cópia [da lei]”, lembrou Diogo.

    De acordo com o terceiro-sargento Luis Carlos Veronezi, que atua no Corpo de Bombeiros de Porto Belo e conduziu o curso, além de professores das redes pública e privada, participaram da atividade auxiliares, gestores, serventes e motoristas de transporte escolar. O militar explica que o treinamento tem por objetivo habilitar os participantes a agir em situações de emergência envolvendo alunos até a chegada de uma equipe especializada.

    Para a secretária de Educação Rosane Grauppe, o número de participantes surpreendeu. “Foram convidadas todas as escolas, municipais, particulares e estadual. Percebemos, na reação das pessoas ao final do treinamento, que houve muito aprendizado. Isso nos remete a confiança de que cada um que participou será um multiplicador e, assim, haverá mais vidas sendo salvas”, comemorou.

    “Nunca teve uma abrangência tão grande”, observou Juliano Guerreiro. O vereador progressista e professor da rede municipal foi um dos alunos do curso. Também durante a sessão da Câmara de 23 de maio, Juliano elogiou a iniciativa: “Sabemos da importância de você saber prestar, de forma correta, o primeiro atendimento, para quando uma criança, de repente envolvida em alguma situação de risco na escola, possa ser atendida, saber dar o encaminhamento. É de extrema importância”, concluiu.

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