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    Pelo Estado Entrevista 30/08: Décio Lima, candidato ao Senado por Santa Catarina

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    “Santa Catarina não pode mais viver de costas para o Governo Federal”

    Décio Lima, candidato ao Senado por Santa Catarina

    Dando continuidade a nossa série de entrevistas, esta semana conversamos com Décio Lima, do PT, candidato ao Senado indicado pelo Campo Democrático.

    * Afrânio Boppré, também candidato pelo Campo Democrático, não deu retorno sobre a entrevista.

    Pelo Estado – O senhor já disputou o Governo de Santa Catarina em 2022 e agora busca uma vaga no Senado. O que mudou na sua visão sobre o Estado desde aquela eleição?

    Décio Lima – Essa é uma missão que me foi passada pelo próprio presidente Lula. Ele, na sua grandeza de estadista, entendeu que o Brasil vive um momento em que é preciso que estejamos juntos com aqueles que têm os mesmos princípios que os nossos. Os princípios do humanismo, do amor, e sobretudo do respeito à democracia. A nossa geração, que lutou tanto pela democracia, viu ela em risco! E não podemos admitir isso. Seguindo a orientação do presidente Lula, reunimos, pela primeira vez, todos os partidos que compõem o campo democrático em Santa Catarina.

    Hoje tenho uma convicção ainda maior: Santa Catarina não pode mais viver de costas para o Governo Federal. O Estado precisa de infraestrutura, crédito, qualificação profissional, inovação, segurança e políticas que deem condições para quem produz continuar crescendo. E vamos buscar isso em Brasília.

    Nós temos, também, a convicção da reeleição do presidente Lula. E ele precisa de gente para ajudá-lo a governar este país. Com a atual composição do Senado e da Câmara, é difícil até imaginar como ele conseguiu fazer tantos avanços.

    Eu acredito que a boa política é a política de resultado. É por isso que quero ser senador. Para defender Santa Catarina, trazer investimentos, melhorar a vida do nosso povo. E claro, ajudar o presidente Lula a seguir transformando o Brasil.

    Pelo Estado – Quais seriam as três primeiras prioridades que o senhor defenderia para Santa Catarina no Senado?

    Décio Lima – Em um país que está vivendo uma grande transformação sob a liderança do presidente Lula, é difícil elencar três prioridades. Mas, o que podemos assumir compromisso é trabalhar para além desse circo ideológico que existe aqui em Santa Catarina. A política precisa de diálogo. Nestes três anos de mandato, eu trouxe o presidente Lula três vezes a Santa Catarina. Praticamente todos os ministros estiveram aqui. Sempre para fazer entregas. Eles não vieram ao Estado para dar voltinha de moto. E o governador nunca recebeu nenhum deles. Essa pequenez precisa acabar.

    Aí chegamos em outra grande prioridade. Santa Catarina está ficando para trás, perdendo oportunidades. Por decisão ideológica do governador, o Estado deixou de receber R$ 24 bilhões em investimentos nas rodovias. O Paraná, que também tem um governador de oposição ao presidente Lula, aceitou o problema e por lá já são quase R$10 bi investidos. Como Senador, vou trabalhar para buscar esses recursos. Para concluir as obras que estão em andamento, para resolver de uma vez por todas a situação do Morro dos Cavalos.

    O governo federal nunca virou as costas para Santa Catarina. Quintuplicou o investimento em obras federais se comparado ao governo anterior. Recursos que possibilitaram terminar a obra da Serra da Rocinha, avançar na duplicação da BR-470, fazer dois túneis extraordinários na BR–280, em Jaraguá do Sul. O Estado precisa avançar e precisa de senadores que fazem essa interlocução.

    Não é segredo para ninguém que o Senado Federal se tornou um dos grandes marcos da nossa democracia. Temos visto candidatos sem proposta, sem entrega, sem história, mas que prometem um conflito com o poder judiciário. São pessoas sem compromisso com as pessoas. É só ver o discurso contra as vacinas. Temos visto doenças, como o Sarampo, que estavam erradicadas voltarem por causa dessa irresponsabilidade. Eu serei um senador que defende o Zé Gotinha, as campanhas de vacinação.

    Queremos um senador que melhore a vida do nosso povo e não que vá para Brasília para fazer vídeos para redes sociais e passar o tempo brigando com outros poderes.

    Pelo Estado – Santa Catarina tem uma forte economia baseada em pequenas e médias empresas, indústria, comércio, turismo e agricultura. Que medidas concretas o senhor defenderá no Senado para reduzir a carga sobre esses setores, ampliar o acesso ao crédito e aumentar a competitividade das empresas catarinenses?

    Décio Lima – Eu me sinto muito à vontade para falar sobre esse tema porque venho acompanhando essa realidade de perto. Como presidente do Sebrae Nacional, percorri todos os estados brasileiros, conheci empreendedores, pequenos produtores, comerciantes, empresários e trabalhadores e pude enxergar as diferenças regionais e, ao mesmo tempo, um problema que é comum a todos: o sistema como está estruturado não foi feito para os pequenos.

    O Brasil vive uma nova economia. Existe uma enorme vontade, principalmente entre os jovens, de empreender, crescer e construir o próprio caminho. Todos os dias surgem novos negócios nas periferias, nos bairros, nas pequenas cidades. Tem gente transformando talento em oportunidade. Mas essas pessoas precisam de apoio.

    Eu costumo dar um exemplo muito simples: um pipoqueiro pode fazer a melhor pipoca do mundo. Pode ter um produto extraordinário, ser trabalhador e ter talento. Mas ele precisa saber onde vender, como definir o preço, como controlar seus custos, como fazer a gestão do negócio, como acessar crédito e como encontrar novos mercados. Talento é fundamental, mas talento precisa de orientação. E o Estado e as instituições de apoio precisam ajudar a transformar esse talento em um negócio sustentável.

    Foi justamente com essa visão que, enquanto presidente do Sebrae Nacional, criei o Programa Acredita Sebrae, uma iniciativa que democratiza o acesso ao crédito para quem muitas vezes não consegue financiamento porque não tem patrimônio para oferecer como garantia. O programa pode chegar a R$ 30 bilhões em crédito e o fundo garantidor dá a segurança deste recurso. E há um dado que me orgulha particularmente: entre as mulheres atendidas pelo programa, a inadimplência é zero. Isso mostra que, quando damos oportunidade e confiança, o pequeno empreendedor responde.

    Santa Catarina tem uma força extraordinária nesse campo. São cerca de 1,3 milhão de empreendedoras e empreendedores, e os pequenos negócios respondem por seis em cada dez empregos formais no Estado. Além disso, quase 100 mil novos empreendimentos foram abertos nos primeiros quatro meses deste ano. Isso mostra que existe uma energia empreendedora enorme em Santa Catarina.

    Por isso, no Senado, vou defender uma política permanente de apoio aos pequenos negócios. Precisamos simplificar ainda mais a vida de quem empreende, proteger e fortalecer o Simples Nacional, ampliar as garantias para acesso ao crédito, estimular a inovação, aproximar as pequenas empresas das universidades e dos institutos de pesquisa e abrir mercados para que elas possam crescer.

    Clique aqui para ver a coluna Pelo Estado PE_30.08.2026

    Produção e edição
    Por Celina Sales para APJ/SC e ADI/SC
    Contato: peloestado@gmail.com

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