Ana Paula, borracheira com muito amor

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Especial Dia Da Mulher

Já pensou em ir a uma borracharia e se deparar com uma mulher fazendo todos os serviços? Aqui em Itapema isso é possível, além de ser muito bem atendido por Ana Paula Coelho da Silva. Mulheres como ela, vencem preconceitos e mostram competência em profissões consideradas como “masculinas”.

Cleyton Amaral

Ela remenda, conserta e calibra pneus de carros. Ana Paula Coelho da Silva, de 32 anos, é casada com o também borracheiro Danielson Raulino, com quem aprendeu o ofício. Ana Paula e o esposo trabalham juntos em uma borracharia na Rua 408, número 10, ao lado do Posto 150, no bairro Morretes, em Itapema. Há seis anos atuando com o amor de sua vida, Ana Paula vem driblando o preconceito e mostrando que mulher pode sim exercer a profissão de borracheira. “É uma profissão como qualquer outra, porém, ser a única borracheira na cidade, é algo de orgulho, até me emociona, pois, nunca imaginei que pelo meu simples serviço de colar um pneu, chamaria atenção para uma reportagem, para ser exemplo de alguma coisa”, disse emocionada.

Do amor ao ofício


O músico Danielson Ribeiro tocava em banda gaúcha, quando cruzou a vida da jovem Ana Paula. Foi amor à primeira vista. “Nos conhecemos em um baile e desde então nossas vidas mudou”, conta a borracheira.

Juntos há 13 anos, o casal tem um filho de nove, chamado Erick. No início Ana Paula trabalhava com outras coisas, foi por um tempo dona de casa e cuidava do filho, quando o esposo saia para trabalhar na borracharia com o pai. Após a partida do sogro, o esposo “Dani” ficou sozinho na borracharia. Foi então que Ana Paula foi trabalhar e ajudar o marido. “No início atendia o telefone, fazia algumas coisas mais leves, mas logo fui me apaixonando pelo trabalho na borracharia. Lembro que logo comecei a mexer nos pneus, inclusive, tirando umas rodas. Meu esposo, sempre carinhoso, me ajudou bastante. Algumas coisas aprendi com ele, outras aprendi só olhando e hoje faço tudo e com muito amor”, revela a borracheira.  Ana Paula já atua há seis anos com Danielson e nem pensa em voltar a ficar em casa. “Sou borracheira de corpo, alma e coração. Lembro que a primeira vez que fui trocar um pneu levei um baita tombo, mas isso não me impediu de continuar. No começo as pessoas ficavam olhando, muitos não acreditavam que seria capaz de desenvolver o trabalho”, expressa.

Vaidade não fica de lado

Quando se fala em mulher, as pessoas pensam logo em feminilidade, em curvas perfeitas, em batom, cabelos escovados, maquiagem, jamais pensariam em uma mulher, simples, que compartilha sua vida com a graxa dos pneus e a conversa com seus clientes. Quando se imagina o cenário de uma borracharia, logo se pensa em um ambiente que dificilmente uma mulher poderia se cuidar. Ledo engano. A Ana Paula é vaidosa e não abre mão de estar com a aparência em dia para recepcionar seus clientes. A borracheira relata que sua profissão tem um significado especial em sua vida, pois, com ela, consegue junto com o esposo, sustentar e dar uma vida digna o filho do casal.

Preconceito


“De início, até as mulheres que aqui chegavam ficavam meio receosas em ver outra mulher trocando, calibrando os pneus. Mas hoje até os homens preferem meus serviços (brinca…). Quando a gente faz com amor, se propõe a fazer as coisas com dedicação, o resultado sempre aparece. Neste dia especial, quero deixar aqui um abraço a todo as mulheres. Somos capazes, somos fortes, nunca deixem ninguém dizer o contrário”
, finaliza.