Após crise, agroindústria catarinense busca retomada em 2019

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Economia

Setor prevê recuperação nas exportações e crescimento no faturamento para este ano. Expectativa é de aumento entre 1,39% a 3% nas produções de frango e suíno

O ano de 2019 começa positivo para 1,1 mil trabalhadores que a partir do próximo dia 14 deste mês retornam as suas funções na BRF, em Chapecó. Eles estavam no sistema de lay-off (afastamento do funcionário por um prazo determinado que vai de dois a cinco meses, em que ele continua à disposição da empresa) desde julho do ano passado.

Estes e outros empregados do setor sofreram com o reflexo dos embargos e as operações policiais em torno da agroindústria ocorridas desde 2017 e que desencadearam na interrupção de abates, fechamento de empresas, férias coletivas e demissões. Além do retorno desses empregados, a BRF anunciou a retomada do segundo turno de perus em abril, o que vai gerar mais 700 vagas.

A retomada do setor começou a ser observada já no final do ano passado, com a empresa Jaguafrangos, do Paraná, assumindo a unidade de Ipuaçu e retomou os abates, o que acabou preservando 600 empregos. No final do ano, o México anunciou a habilitação de 26 novas plantas, uma delas a de Ipuaçu (SC). Em novembro, a Rússia reabriu o mercado para o Brasil.

— A gente vê que acertou em aceitar o lay-off, pois isso garantiu o direito aos trabalhadores num momento difícil e agora os funcionários voltam ao trabalho com seus empregos e seus direitos garantidos — afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne de Chapecó e Região, Jenir de Paula.

Ele está com uma visão otimista de 2019, como um ano de recuperação da produção, o que vai movimentar a economia.

Cenário positivo na economia para 2019

Segundo o analista do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Alexandre Giehl, o cenário para a agroindústria em 2019 é otimista, após um crescimento positivo no segundo semestre do ano passado.

— Em maio chegou a ter uma queda de 35% na produção, devido à greve dos caminhoneiros. O primeiro semestre foi muito ruim devido a isso, aos embargos e à sobretaxações chinesa. Foi um ano que ninguém morreu de tédio, foram fortes emoções. Mas no segundo semestre (2018) a gente visualizou um cenário positivo — avaliou Giehl.

O especialista disse que as boas exportações em Santa Catarina permitiram um crescimento estimado em 5,9% no abate de suínos, que fechou o ano com mais 1,18 milhões de toneladas. No entanto, no caso do frango, devido à suspensão dos cortes em várias unidades, a produção registrou uma queda de 10%, de 2,15 milhão de toneladas para 1,95 milhão.

Para entidades da agroindústria, outros fatores devem influenciar positivamente no setor, como o aumento na importação de proteína animal de frangos, suínos e bovinos por parte da China, uma previsão de 400 mil toneladas.

— O Brasil é um dos países que tem condições de atender esse mercado. A perspectiva é muito boa — disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

Salto de qualidade e redução de custos

Depois de fechar 2018 com números negativos, a Associação Catarinense de Avicultura (Acav) prevê um crescimento de 1,39% na produção de frango e, de 2% a 3%, na produção de suínos, para 2019.

O presidente da entidade José Antônio Ribas, disse que as dificuldades de 2018 serviram para o setor se aprimorar.

— O aumento nas exigências serviu para nós produzirmos com ainda mais qualidade e diminuir custos. Mesmo nas dificuldades continuamos as expansões, aumentamos nossa participação no mercado e mostramos que Santa Catarina é um case de sucesso — disse Ribas.

Outro fator que contribuiu para o otimismo foi China que mostrou um apetite voraz, aumentando em 10% a compra de frango e 250% a carne de suíno. China e Hong Kong responderam por metade das exportações de suínos. A queda no preço do milho e da soja, além da previsão de uma safra recorde, o que reduz custos de produção, também trouxe confiança para agroindústria.

Um passado desafiador

O ano de 2018 foi de prejuízo para as agroindústrias catarinenses. As três principais empresas instaladas no Estado amargaram perdas consistentes. A BRF acumulou prejuízo de R$ 812 milhões no primeiro trimestre, R$ 1,5 bilhão no segundo trimestre e R$ 114 milhões no terceiro trimestre.

A JBS teve um bom início de ano, com sobras de R$ 500 milhões no primeiro trimestre, mas no segundo acumulou despesas de R$ 911 milhões e R$ 133 milhões no terceiro trimestre. A Aurora Alimentos também fechou o ano com um prejuízo de cerca de R$ 100 milhões.

— Foi um ano muito desafiador, a gente já vinha com dificuldades devido à operação Carne Fraca, a perda do mercado europeu fragilizou as exportações e corroeu as margens de lucro e com a greve dos caminhoneiros trouxe um prejuízo na cadeia que levamos 60 a 90 dias para nos recuperarmos — analisou Ribas.