ASSIM SÃO AS COISAS, IRMÃOS

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Às vezes, quando a tarde vai terminando, o escuro se apossando e a noite novamente precedida de mau tempo, andando pelo espaço – já que “El Niño” não deixa sair de casa -, vou dedicando o tempo disponível para assuntos de somenos importância.

Futebol, noticiário, novela, jornal e demais sequelas da globalização cultural, não atraem. São efêmeros, ilusórios, exceto o futebol, pelas glórias e história do penta canarinho.

De resto, ler Lima Barreto, poemas e sonetos, romances e outras nuances da cabeça do escritor, faz bem ao espírito.

Pintar o sete, como Picasso pintou e a dor, como Rimbaud rascunhou, também faz bem ao viver.

Escrever por oficio e prazer, é de lei; comer feito animal irracional, não pode, mas beber como… pode; e curtir uma preta retinta, com várias manchas de cor terra pelo corpo,  – o que a torna única -, é o respiro da panela de pressão e fundamentais mandamentos da ADESP (Associação dos Dependentes de Stalin Passos).

Vista por outro ângulo, a beleza de Zelinha é harmoniosa, o que a torna um agradável visual. Esse visual, aliado ao porte exótico e ao entusiasmo do relacionamento, quando chego do trabalho, cansado pra carvalho, em casa, querendo mais é comer qualquer coisa e “morfear” nem que seja por meia hora, lá vem a cadela na alegria de seus sete nos de idade, entornar os planos. Conforta e alegra vê-la eufórica e carinhosa, saltitante, espavorida a lamber e correr. Isso é que fortifica nossa convivência debaixo de um mesmo teto, por puro amor.

Em contra partida, há aporrinhações, gerais e localizadas! Quem está livre de não tê-las?

Do vigário ao coveiro, da viúva ao confessor, do professor ao pedreiro, do padeiro ao fazendeiro; do artista ao alpinista, do cambista ao comunista e da marmita ao micro-ondas, todos às têm.

Entretanto, em todas as ondas, há esperança; na pança pousa o obeso; na clausura, condenados e devotos; pelo voto se chega à democracia; na cria está a vida, essa a verdade, até onde se quer que seja!

Na idade dos vinte, o primeiro porre, surgindo daí a contestação; na euforia dos trinta, quanto mais, melhor; aos quarenta vem à ressaca; aos cinquenta, o alerta do que vem pela frente; aos sessenta, então, tudo assenta!

Quando nos setenta, senta e se acomoda; aos oitenta, bate-biela, e de trivela, com noventa, mija na cama; emplacando os cem, gloriosamente, todo engalanado, pelos familiares rodeado, chega ao centenário e ao cemitério.

Que ninguém é de ferro!