Atenção aos detalhes e paixão por mudanças

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Especial Mulher

Com um sorriso caloroso, Claudineia da Costa Wolff, conhecida como Zezé, relembra os dois mandatos como vereadora de Camboriú. Um cargo que ela começou a almejar durante uma temporada morando na Espanha. Seu objetivo era transformar a realidade da sua cidade e não esperar que alguém fizesse isso por ela. “No exterior eu vi como as pessoas eram politizadas, compreendiam e acompanhavam os governantes. Existiam políticas públicas e as coisas funcionavam, eu queria que isso acontecesse por aqui” relata.

De volta ao Brasil, a então bancária foi transferida de Curitiba para Camboriú. O destino quis assim, afinal seus planos eram ir para a vizinha Balneário, onde seus pais moravam, mas não havia vagas por lá.

Já em Camboriú, Zezé decidiu que era hora de sair da zona de conforto e fazer algo pela população. Eleita vereadora, se dedicou intensamente às transformações e em fiscalizar cada passo do Executivo. Com posicionamento firme e atenção aos detalhes descobriu e denunciou algumas falhas ao longo dos anos como vereadora.

Ela relembra que foi a primeira a ir contra o apoio que a prefeitura dava, sem qualquer regra ou aprovação do Legislativo, ao Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora. Zezé destaca que nunca foi contra o evento, mas sim, em como o Executivo realizava as doações.

As denúncias ao Ministério Público Estadual e Municipal, e também ao Tribunal de Contas do Estado, deram resultado e foi através de sua iniciativa que a prefeitura passou a ser obrigada a encaminhar um Projeto de Lei, todo ano, à Câmara de Vereadores, solicitando a autorização para gastar um valor determinado com o evento.

Mas, este não foi o único caso denunciado por ela ao Ministério Público. “Eu acompanhava com cautela cada empenho do município, se percebia algo errado questionava e buscava provar e evitar novas falhas”. Foi através deste costume que Zezé percebeu uma compra ilegal de selos postais de uma empresa de Palhoça, administrada por parentes de servidores públicos da cidade. O caso repercutiu e houve uma grande investigação.

Sua postura de fiscalizadora reverteu também uma decisão da FATMA de permitir que usassem uma Área de Proteção Ambiental da cidade, como Usina de Reciclagem de Resíduos da Construção Civil. A então vereadora enfrentou descrença e grandes empresários, mas conseguiu provar sua afirmação e manter o local protegido.


Zezé admite que os anos como vereadora a fizeram uma mulher mais crítica, porém, menos radical. “Agora eu compreendo o processo, nunca mais serei uma eleitora comum, conheço a teoria e a prática do legislativo”, explica.

Hoje, a ex-vereadora é funcionária da Prefeitura de Balneário Camboriú, e admite que trabalhar no poder Legislativo é mais complicado. “Como vereadora eu podia sugerir, fiscalizar, apontar, mas não tinha liberdade de realmente fazer algo, no Executivo isso é possível” destaca.

Zezé ingressou como vereadora de Camboriú em 2001 ao lado de outras quatro mulheres, a Câmara proporcionalmente mais representativa do país, e tem muito orgulho desse período. “Lembro que quando foi anunciado o resultado das eleições alguns moradores falavam: “Pronto, agora elas só vão pedir creche! ””. Mas, segundo Zezé, ela e suas colegas foram além.

Travaram debates fortes e coesos, mas sem perder o respeito. “O processo para chegar até o cargo de vereadora não é nada tranquilo, então, nós reconhecíamos a trajetória uma da outra e tínhamos uma admiração mútua”, conta com olhar satisfeito.

Naquele período, palavras como feminismo e empoderamento não eram destaque na mídia, mas se fossem, poderiam traduzir a ação dessas mulheres. Zezé afirma que não basta proporcionar o empoderamento, é preciso que as mulheres queiram se empoderar. “Não podemos forçar uma mulher a ser ativa politicamente, critica ou qualquer outra coisa. É importante que a mulher encontre seu empoderamento onde quiser! ”.

Com informações Assessoria de Imprensa Câmara de Camboriú*.