Bombeiros Voluntários catarinenses são dispensados de ajudar nas buscas de Brumadinho

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Tragédia anunciada

Os operadores de drones da equipe dos bombeiros voluntários de Santa Catarina fizeram o credenciamentos, na manhã desta segunda (28), e dos dois aparelhos que fazem parte dos equipamentos disponibilizados para a Missão MG. O grupo aguarda orientação da Defesa Civil do Estado de Minas Gerais quanto a possibilidade de cooperar em conjunto com as demais forças de segurança no socorro e resgate às vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, ocorrido na última sexta-feira.

Os bombeiros voluntários de Santa Catarina estão em Brumadinho desde a tarde deste domingo. São 28 bombeiros das corporações de Indaial, Presidente Getúlio, Ibirama, Ilhota, São João do Itaperiú, Itaiópolis e Balneário Barra do Sul. O grupo seguiu para a região do desastre sábado às 15h com equipamentos e veículos de emergência. O objetivo é trabalhar em cooperação com a Associação de Bombeiros e Equipes de Resgate Voluntários do Estado de Minas Gerais (Volunterminas), Defesa Civil e demais órgãos de segurança.

A previsão inicial era permanecer por sete dias na região do acidente, mas na manhã desta segunda o comandante da missão e do CBV de Indaial,  Evandro Vinotti, disse que o grupo vai aguardar um posicionamento do comando em Minas Gerais até a próxima quinta-feira (31). Caso os bombeiros voluntários não sejam integrados aos grupos de busca e resgate, retornam para Santa Catarina.

Parte da equipe que foi a Minas Gerais é composta pela Unidade Arcanjo, força-tarefa permanente do CBV de Indaial que atua em desastres, criada em 2002. Esse grupo trabalhou na tragédia do Morro do Baú, em Ilhota (SC), em 2008; no Haiti, após o terremoto que assolou o país em 2010; e nos resgates às vítimas dos deslizamentos de terra em Teresópolis (RJ), em 2011.

Barragens de Santa Catarina estão fora de lista de risco

Um relatório da Agência Nacional das Águas (ANA), divulgado no final de 2018, apontou uma lista de 45 barragens com risco de rompimento e todo o Brasil. Santa Catarina, por sua vez, está de fora desta lista.

O país possui mais de 24 mil barragens identificadas para diferentes finalidades como acúmulo de água, rejeitos de minérios, ou industriais para geração de energia.

As 45 barrragens em risco apresentam riscos estruturais, como rachaduras e infiltrações e são de responsabilidade de Poder Público.

O Estado com mais barragens em situações de risco é a Bahia, com 10 barragens listadas. No Sul do Brasil, apenas o Estado do Rio Grande do Sul entrou na lista, com duas barragens.

Justiça do Trabalho determina bloqueio de R$ 800 milhões da Vale

A pedido do Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG), a Justiça do Trabalho autorizou o bloqueio de R$ 800 milhões da mineradora Vale, responsável pela barragem na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, que se rompeu na tarde de sexta-feira (25). Até o momento, a Justiça já determinou o bloqueio de R$ 11,8 bilhões das contas da mineradora.

Segundo o MPT, a quantia será destinada ao pagamento de direitos trabalhistas, assegurando “as indenizações necessárias a todos os atingidos, empregados diretos ou terceirizados, pelo rompimento da barragem na mina”. Conforme o último balanço oficial divulgado, o número de mortos na tragédia já chega a 60 e 292 pessoas continuam desaparecidas.

Na decisão, a juíza Renata Lopes Vale, do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3), também obriga a Vale a continuar pagando os salários dos trabalhadores desaparecidos a seus parentes e familiares. A medida deverá vigorar “até a resolução da situação pendente em que se encontram (constatação efetiva ou jurídica de vida ou de óbito)”.

Comandante dos voluntários de SC que foram a MG reclama de pedágio cobrado das viaturas

A empresa também deverá arcar com despesas de funeral, translado de corpo, sepultamento de todos os trabalhadores mortos em função do rompimento da barragem. A Vale tem 10 dias, a partir da notificação, para apresentar cópia de seu Programa de Gerenciamento de Riscos, entre outros documentos.

Na sexta-feira (25), a Justiça mineira determinou o terceiro bloqueio de valores da mineradora Vale, desde o rompimento das barragens da Mina Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG).

No sábado (26), a Justiça de Minas Gerais já havia bloqueado R$ 10 bilhões da mineradora. Por determinação da juíza Perla Saliba Brito, a fim de garantir recursos para medidas emergenciais e a reparação de danos ambientais decorrentes do rompimento da barragem, R$ 5 bilhões foram bloqueados. Horas depois, a Justiça mineira determinou o bloqueio de mais R$ 5 bilhões para ressarcir danos e perdas às vítimas em geral.

O juiz Renan Chaves Carreira Machado, responsável pelo plantão judicial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Belo Horizonte, ordenou o bloqueio de R$ 1 bilhão da mineradora