Cadeirante mostra dificuldade de locomoção em Itapema

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Acessibilidade

Imagina você atravessar uma faixa de pedestre e no final dela se deparar com um obstáculo de mais de 15 cm. Isso sendo você um cadeirante. Esta é a realidade no bairro Meia Praia e no Centro. Falta respeito e acessibilidade e sobra dificuldades.

Cleyton Amaral

As calçadas são os principais pontos da área urbana do bairro Meia Praia e Centro de Itapema, apontadas por deficientes físicos e visuais como inacessíveis. Praças públicas também são citadas como problema. A principal reclamação é de que muitos espaços públicos não são adequadas para o acesso de cadeirantes ou deficientes visuais, bem como a maioria das calçadas, que não são niveladas.

Nossa equipe conversou com Reginaldo Mariano Santos, de 56 anos. Ele integra o Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência e nos mostrou um pouco do que enfrenta diariamente. O cadeirante mudou para Itapema há dois meses e já sentiu que nosso município não respeita a lei de acessibilidade.

Ao longo de décadas, a cidade foi crescendo, ganhando novos bairros, assim como mudanças estruturais na Meia Praia e Centro, mas quase nenhuma obra ou reforma incluiu a adaptação de locais com acessibilidade. Se para quem não possui problema nenhum de locomoção já é difícil, pior ainda é para os deficientes visuais. Andar por calçadas desniveladas, ou ser obrigado a andar no meio da rua, são cenas comuns na cidade.

Desafio para prefeita

Reginaldo propôs um desafio a prefeita municipal de Itapema. “Desafio a Nilza Simas a andar comigo por pelo menos 10 minutos pelas ruas e calçadas da Meia Praia para ela sentir a nossa dificuldade. Não entendo como fazem uma faixa de pedestre que no final dela não tem acesso para cadeiras de rodas… nos dias de hoje isso é quase inadmissível”, queixa-se o cadeirante.

Para os deficientes visuais a situação é mais difícil, uma vez que estão mais vulneráveis a acidentes. “Calçadas não são preparadas, não são adequadas, são totalmente inacessíveis, os transportes coletivos também são inacessíveis”, reclamou outro personagem

Direitos

O problema da falta de acessibilidade pode provocar acidentes, principalmente para quem tem problemas de locomoção ou de visão. Pessoas com deficiência podem acionar a Justiça, caso sejam vítimas de falta de acessibilidade. Como a responsabilidade é do poder público de garantir esse acesso, seja pelo calçamento, seja pelo transporte público, ele [vítima] pode ingressar com uma ação civil por danos materiais e morais, ou mesmo as associações podem ingressar com ações coletivas.

Associação das Pessoas com Deficiência de Itapema, Familiares e Amigo

Nossa equipe também conversou com o coordenador da ADI, Osvaldo Oliveira, na visão dele, o município assim como muitos Brasil afora tem realmente problemas de acessibilidade. Entretanto, Itapema tem avançado muito nesta questão. “Contamos sempre com o apoio da Secretaria de Obras e também com o Departamento Municipal de Trânsito, que sempre se mostraram parceiros quando a associação solicita alguma mudança. Recentemente participei do II Fórum Nacional sobre os direitos da pessoa com deficiência, na sede da OAB em Curitiba, que também apresentava problemas de acessibilidade. Vale destacar que a associação é aberta a comunidade todas as tardes, menos na quinta-feira, onde temos atendimento externo. A associação fica na rua 900F, número 82, bairro Sertãozinho”, finaliza o coordenador.

Contraponto

Até o fechamento desta edição, a prefeitura municipal não havia dado uma resposta aos questionamentos da reportagem.