Câmara de Porto Belo se prepara para entrar na era digital

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Tecnologia
Processo legislativo será todo informatizado. Empresa responsável pela transição esteve na Casa para mostrar como será o processo

Em uma semana normal de trabalho, a secretaria da Câmara de Vereadores costuma consumir cerca de mil folhas de papel. Numa segunda-feira atípica, como foi a do dia 25/03, quando vários projetos do Executivo foram encaminhados ao plenário, a conta sobe para 1.500, 2 mil. Na média, são mais de quatro mil folhas por mês, 208 mil em um único ano. Embora realize diversos procedimentos via computador, o Legislativo portobelense não entrou na era digital. Ainda.

Isso porque essa situação tem data para acabar. A mesa diretora da casa está finalizando os trâmites para a implantação de um sistema de informatização do processo legislativo. A ideia, naturalmente, não é somente diminuir drasticamente o uso de derivados de celulose, mas de agilizar os trâmites do parlamento e dar maior transparência às suas ações. E, ao fim de tudo isso, reduzir custos.

Meta do legislativo

“Nós precisamos avançar, precisamos entrar no dito Século 21”, destaca o presidente do legislativo, Altino Torquato Júnior (PSD). Ele ressalta que essa meta tem sido uma preocupação da atual legislatura, em especial da mesa diretora. Diogo Santos (MDB), primeiro-secretário da casa, olha um pouco mais adiante, fixando no momento em que a Câmara tiver um sistema de transmissão das sessões em vídeo e em tempo real: “Quando entrei aqui, era o meu sonho ver isso”.

Gestão automatizada

A “tevê Câmara” ainda está alguns passos no futuro, mas o presente sinaliza para a entrada de computadores no plenário. Nesta terça-feira (26), a empresa responsável pela implantação do sistema esteve na sede do Legislativo para apresentar a novidade. Márcia Freitas e Ronnie Gauche, respectivamente diretora comercial e representante da área técnica da Lancer, de Blumenau, mostraram a alguns vereadores e aos servidores da casa como as coisas passarão a funcionar.

A principal mudança será a completa informatização das tarefas no plenário. Em lugar de uma pilha de papéis, cada parlamentar terá um notebook conectado ao sistema, a partir do qual terá acesso às matérias do dia, votará nos projetos e gerenciará o uso da tribuna.


O sistema também controlará todo o fluxo de documentos que antecede as sessões — o que, na opinião de Marcos Antônio Santiago, diretor-geral da Secretaria do Legislativo, vai ser uma mão na roda no quesito organização. Sem falar na economia de tinta e papel.

De acordo com Márcia Freitas, as tratativas entre empresa e Câmara datam de longo tempo. “É um namoro muito, muito antigo”, brinca. Segundo explica, sua empresa atua há 23 anos no segmento de soluções para a área legislativa. Vários municípios do Alto e Médio Vale são clientes da Lancer, como Gaspar, Ilhota e Brusque. São João Batista, na Região Metropolitana de Florianópolis, também aderiu ao sistema. Foi durante uma sessão da Câmara batistense que os vereadores de Porto Belo viram o funcionamento da ferramenta.

Márcia explica que, em um primeiro momento, a circulação de papel no plenário reduzirá drasticamente. Com a adoção do sistema de assinatura digital, “o papel pode ser completamente excluído”. Ela também informa que já está em negociação com a mesa diretora para implantar o sistema de transmissão ao vivo.

Agilidade

Presente no plenário durante a demonstração do produto, o vereador Célio Ramos (MDB) gostou do que viu. Embora não seja muito afeito a dispositivos eletrônicos, ele acredita que não terá muito problema em se adaptar à novidade. “Na verdade, nós é que estamos atrasados”, pondera. “A mudança é para melhor. Economiza também. Facilita para todo mundo”, avalia.

Segundo-secretário da mesa diretora, Bento Voltolini (Cidadania), esteve na comitiva que visitou São João Batista e supõe que será mais fácil acompanhar o andamento da sessão pela tela do computador. Para ele, o trabalho dos legisladores ganhará muito mais agilidade. “A gente tem que trazer o que é bom, o que traz benefício”, afirma.

Ainda não há data para o sistema entrar em operação. Márcia estima, porém, que uma vez iniciado o processo, serão necessárias apenas três sessões até que todos os vereadores dominem suas funcionalidades.