Câmara de portobelense institui honraria aos pescadores

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Cos Esmeralda

 

 

Objetivo é valorizar a herança cultural e a importância econômica e social da atividade para o município

 

“São pessoas que realmente precisam de homenagem, que passam seu dia a dia no mar”. Esse é o comentário de Joel Lucinda (MDB) em relação ao projeto de lei que institui a honraria Pescador Portobelense na cidade. Em conjunto com os vereadores Diogo Santos, Jonas Raulino e Célio Ramos, todos da bancada do MDB, Joel assina o PL que tramitou na Casa e foi aprovado na noite da última segunda-feira (15).

Para o parlamentar, que foi criado entre pescadores e construtores navais e sempre teve uma conexão com essa prática, é importante contar as histórias desse povo. A pesca no litoral catarinense remonta há cerca de 5 mil anos, quando grupos de caçadores-coletores chegaram à região. Hoje, podemos encontrar vestígios dessa passagem nas oficinas líticas, nos sambaquis que existem por aqui e nos contos e vivências das gerações atuais, que trazem em suas histórias o reconhecimento do passado.

O objetivo da homenagem é justamente este: valorizar a raiz cultural dos que vivem de retirar o sustento do mar. Recuperar, na memória dos moradores da cidade, nomes que, no passado ou no presente, colaboraram ou colaboram com a pesca artesanal ou industrial e, consequentemente, com a história dessa atividade. O evento deverá ocorrer na semana do dia 29 de junho – data em que é comemorado o Dia do Pescador no Brasil – e acontecerá no mesmo formato de outras honrarias que a Câmara já prestou: os vereadores indicarão nomes de pescadores da comunidade e, em sessão solene, será entregue uma placa a essas pessoas.

O projeto seguiu para sanção do prefeito e a honraria deve ser entregue pela primeira vez no ano que vem, caso a situação da pandemia do Covid-19 esteja controlada.

 

HISTÓRIA

Atualmente, a atividade pesqueira em Porto Belo acontece regularmente, sendo, junto com o turismo, o principal fomento econômico do município. Em geral, as espécies que mais geram lucro são a corvina, pescada em barcos industriais de emalhe (tipo de rede), e o camarão, em redes de arrasto. Já os pescadores artesanais se beneficiam das safras da tainha, que acontece este ano de 1º de maio a 31 de julho, e da anchova, que tem a pesca legalizada entre o início de abril e final de novembro.

Porém, não é de hoje que a cidade é vista com potencial econômico na área da pesca. Em 1818, Porto Belo, na época chamada de Enseada das Garoupas, teve a primeira colônia de pescadores do país. Chamada de Nova Ericeira, foi organizada a partir da vinda de 400 moradores de Ericeira e de outras regiões de Portugal. Segundo o jornalista Rogério Pinheiro, autor do livro “1818 — A história da colônia criada por Dom João VI que foi alvo de disputa entre brasileiros e portugueses no século XIX”, há muitos moradores que descendem desses povos, mas não têm consciência dessa origem.

A colônia foi criada por ideia de Dom João VI, com o intuito de suprir a demanda de pescados consumidos no Brasil. A escolha da região, que hoje conhecemos como Porto Belo, se deve à posição estratégica na época, por haver poucos habitantes e pela quantidade de pescado. De acordo com o escritor, a falta de planejamento e a corrupção, além de outros fatores históricos, como a independência do Brasil em 1822, levou ao encerramento do projeto.

Apesar de seu fracasso, e do impacto negativo que isso teve na época, como a evasão das famílias e a miséria daquelas que ficaram, Rogério afirma que a colônia influencia até hoje nas atividades e festividades da cidade: “Muitas técnicas pesqueiras os ericeirenses trouxeram de Portugal. Todo esse conhecimento foi passado de geração a geração. Outra manifestação cultural é encontrada na religião, como as festas do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora dos Navegantes, que na Ericeira é conhecida como Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem”, conta.