Coluna Helle Borges 02/10/2019

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Parlamentarismo Brasileiro

No famoso cafezinho da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, Presidente da casa tem sido apelidado pelo seu cordão de puxa-sacos e por parte da “entidade” mercado de 1º ministro. Como o nobre leitor sabe o Brasil é uma República Federativa desde sua fundação republicana, ainda é prerrogativa salientar que a última vez que tal assunto foi debatido foi em 1993 em plebiscito nacional onde o povo foi instado a escolher entre Monarquia X República e Presidencialismo X Parlamentarismo. As campanhas foram acirradas, mas o regime parlamentarista foi rejeitado por 70% da população. O apelido foi atribuído a Maia diante de seu protagonismo nas discussões travadas na amplamente difundida Reforma da Previdência e também em pautas importantes para a governabilidade tais como a da Reforma Tributária, da PEC orçamentária e do pacote anticrime. Maia, raposa velha, gosta do tratamento e tem reafirmado cada vez mais seu desejo de um dia ser candidato a Presidente da República e vê na fraca articulação do governo brechas para estar sempre em cena nos assuntos mais importantes do País. Não deixa de ser irônico ver que parte das vitórias do governo, aquelas mais importantes para o sucesso de Bolsonaro, possam vir pelas mãos de um político execrado por seus apoiadores na internet e em protestos de rua. Rodrigo Maia, o Botafogo da planilha da Odebrecht, como gostam de lembrar os bolsonaristas, tornou-se em alguns momentos a salvação do governo justamente por ter sido fiador de projetos amplamente divulgados ainda na campanha eleitoral de 2018. Ao menos por enquanto. Rodrigo Maia passa o dia em reuniões com líderes partidários, tem feito muitas viagens de norte a sul do Brasil honrando uma espécie, já tradicional em nossa política, de cerimônia de beija mão. Ouve empresários, banqueiros, sindicalistas, ambientalistas, ruralistas e muitas organizações civis não governamentais. A agenda de Maia no mês de agosto superou em três vezes a agenda de Bolsonaro em número de encontros e reuniões.

É ou não é uma agenda de candidato?

No mês passado um emotivo Maia foi entrevistado pelo jornalista Pedro Bial. Ajudado pelo entrevistador Maia fez um discurso de campanha dentro de um programa de entretenimento. Entre discussões sobre família, trajetória política e o governo de Jair Bolsonaro, o político entregou a vontade de ser presidente da República um dia. A declaração veio depois de Pedro Bial lembrar que Maia rejeitou pedidos de impeachment de Michel Temer após denúncias contra o ex-presidente. Caso Temer fosse deposto, o presidente da Câmara ia assumir a Presidência. Maia disse “No momento que o Brasil vivia, saindo de um impeachment, recessão profunda, pobreza aumentando, desemprego, era uma decisão de se manter as instituições funcionando ou correr o risco de desorganizar tudo. Não é questão de ser presidente. Quero ser presidente, um dia, pelo voto. ’’

Sobre a possibilidade de concorrer em 2022, Rodrigo afirmou que só pretende disputar uma eleição quando organizar as contas do país. “Só vou disputar uma eleição majoritária no Brasil se entender que terei condições de mudar a minha cidade, o meu estado e o meu país. ”

Maia avaliou o governo de Jair Bolsonaro e apontou que foi o PT (Partido dos Trabalhos) que levou o atual presidente ao poder. “Todo o ciclo do PT que gerou o Bolsonaro. Quem abriu a janela para a antipolítica, para o desgaste da política, foi o governo do PT. Quer se transformar em algo atual um problema construído por quem governou. Quem governa é quem gera espaço para quem entrar. ”

“O presidente tem o perfil dele, ninguém desconhecia, as teses que ele sempre defendeu, os temas que ele sempre defendeu. Ele nunca escondeu. Não foi surpresa para ninguém. ”

O presidente da Câmara ainda analisou quais são os pontos negativos e positivos do governo. “O que tem de melhor é a narrativa da agenda de reformas que o Paulo Guedes faz. O que tem ainda de negativo é que essa narrativa precisa estar transformada em fatos reais. ” E falou o pré-candidato.