Coluna Helle Borges 10/04/2019

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Menos twitter e mais trabalho

Perto dos 100 primeiros dias de governo o Presidente Jair Messias Bolsonaro trocou seu segundo ministro. Vélez Rodrigues, titular da pasta da educação foi substituído por Arthur Weintraub. O ex ministro foi demitido na última segunda-feira, dia 08 de abril, por não conseguir imprimir ritmo de gestão ao ministério. Nos pouco mais de três meses em que esteve no cargo, Vélez se envolveu em polêmicas, com falas descontextualizadas e sem qualquer nexo com a profunda realidade da educação brasileira. Impôs viés ideológico em suas escolhas e assistiu sentado na cadeira de ministro, a terrível disputa ideológica entre militares e olavistas, dentro do ministério. O primeiro grupo trabalha em busca de um modelo educacional que consista em valorizar a meritocracia nas salas de aula e na gestão das escolas públicas. Já o grupo Olavista, cujo mentor é o polêmico filosofo Olavo de Carvalho, pretende uma guinada ideológica radical na educação do pais. A ideia é a busca de um conjunto massivo de práticas conservadoras e um corte revisional dos conteúdos sem a dita doutrinação marxista. Bolsonaro aposta na experiência de Weintraub, adquirida na gestão de mercados e no mercado financeiro, para conseguir apaziguar as duas alas. De preocupante fica o fato de ser mais um ministro sem qualquer experiência na área da educação. A pergunta que fica é porque Bolsonaro não busca um grande ícone da área educacional, que tenha amplo respaldo acadêmico e popular? Seria o tal viés ideológico? O problema é que enquanto se pensa em viés ideológico, escolas estão sem professores, crianças estão sem aula e sem merenda, professores sofrem com péssimos salários e o Brasil amarga posições catastróficas nos rankings da educação internacional. Menos twitter, menos ideologização acadêmica e mais trabalho, ministro.

Ministro celebridade

O ex-juiz Sérgio Moro, agora ministro da Justiça e segurança pública, tornou-se uma celebridade no twitter. Com perfil recém-criado, Moro, dono do perfil @SF_Moro, alcançou em pouco mais de 1 hora mais de 500 mil seguidores. Um fenômeno. Sobram postagens das atividades de Moro na pasta. Há também espaço para reflexões sobre o sistema carcerário brasileiro, dicas de filmes e estratégias em series policiais americanas e claro, não pode faltar humor. No seu twitter de abertura o ministro postou uma selfie com um calendário falando que aquele perfil era dele mesmo. Muita gente duvidou. E assim como o ministro Moro, outros ministros aconselhados por Bolsonaro, estão aos poucos aderindo ao twitter. Só falta o ministro das twittercomunicações ser nomeado… é para acabar.

Bolsonaro e a reeleição
Em muitos momentos da campanha presidencial do ano passado, Bolsonaro criticou a reeleição no País. Falou em outros momentos que era favorável a um mandato único com duração maior. Sabendo que a legislação, caso seja alterada, só possa valer para o próximo mandato, o Presidente admitiu em entrevista nessa semana que pode disputar a reeleição. Condicionou a duas questões: sua saúde e o andamento da aprovação dos projetos prioritários do Estado Brasileiro. Já existem dois pré-candidatos caminhando nesse sentido: Ciro Gomes (PDT) e Rodrigo Maia (DEM).

Irmão

Na tentativa de arrefecer a crise com o Poder Legislativo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez nesta terça-feira (9) deferências ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamando-lhe inclusive de “irmão”. Os dois se viram nesta terça pela primeira vez desde que iniciaram, no final do mês passado, um embate público com troca de provocações. O encontro ocorreu na abertura da Marcha em Defesa dos Municípios. No palco, ambos ficaram separados por apenas uma cadeira. Apesar da proximidade, não engataram conversa, embora tenham trocado elogios durante os discursos públicos e, ao final, posado abraçados para fotografias.

Carlos I, Ministro
Jair Bolsonaro declarou nesta segunda-feira (8) que seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), deveria ter um cargo de ministro. A afirmação foi feita depois de questionado se havia se arrependido de alguma publicação nas redes sociais, em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, na rádio Jovem Pan. “Acontece essas coisas, não pode falar que se arrependeu. O que está feito, está feito. Aqui serve de ensinamento”, afirmou. “Ah, o pitbull está te atrapalhando. Atrapalhando em quê? Ele não me atrapalhou em nada. Eu acho até que ele deveria ter um cargo de ministro. Ele que me botou aqui. Foi a mídia dele que me botou aqui. E ele não está carregando cargo de ministro, eu poderia botá-lo, mas ele não está pleiteando isso aí”, acrescentou. “Twitter, Facebook e Instagram não tomam nem 30 minutos do dia. Quem realmente me ajuda nessa coordenação é o Carlos Bolsonaro. Por isso muita gente quer afastá-lo de mim”, disse o presidente. Um viva ao Rei, quero dizer ao futuro pretenso ministro Carlos I Bolsonaro.