Coluna Helle Borges 21/08/2019

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O Tamanho da Onda

É natural que governantes percam pontos preciosos de suas popularidades em seu primeiro ano de mandato. Em geral governar é muito diferente de fazer campanha e salvo poucas exceções manter-se popular a níveis eleitorais é sempre tarefa muito difícil. Analisando essas circunstâncias tendo como parâmetro o Governo Federal e Estadual assistimos condições ainda confortáveis, porém bastante distintas. No plano Nacional o Presidente Jair Messias Bolsonaro tem visto sua popularidade diminuir ao longo dos últimos meses. Eleito com aproximadamente 60% de votos válidos, Bolsonaro, tem assistido sem grandes preocupações um cenário de desidratação de sua imagem e de seu governo. A estratégia parece traçada e visa claramente legitimar suas falas e seus passos para agradar seu núcleo duro, ou seja, seus apoiadores de todas as horas. De perfil aguerrido, conservador e direitista o eleitor de Bolsonaro tem se comportado mais como plateia e aplaudido cada movimento feito pelo Presidente. O eleitor da terceira via que preferiu votar no antipetismo volta a subir em cima do muro e pontualmente criticar o que chamam de excessos do Governo. Os tons agressivos e pouco diplomáticos dos discursos e as frases impactantes do Presidente voltaram com tudo. A verdade é que Bolsonaro nunca acreditou que pudesse de fato ter um governo com grande adesão popular e não esconde de ninguém que medidas impopulares podem e devem ser tomadas doa a quem doer. Ideologicamente seus eleitores e sua plateia aplaudem de pé.

Na contramão Carlos Moisés se mantem com números de popularidade praticamente inalterados em relação ao resultado das eleições. Nestes primeiros meses preferiu adotar um tom discreto e governar sem a necessidade do uso frequente de fisiologismos partidários e claramente tem evitado o viés ideológico de seu governo. Talvez o maior exemplo esteja na retirada dos subsídios dos defesos agrícolas que vai em direção posta a plataforma nacional da bancada do boi e do PSL. Moises sabe que se elegeu na Onda Bolsonaro, mas ao mesmo tempo entende que seu compromisso maior é com o Estado de SC e com seus princípios. Por falar em onda muitos pré-candidatos a prefeitos de municípios da nossa região esperam que nas eleições de 2020 os efeitos da Onda Bolsonaro continuem sendo visíveis e reboquem suas candidaturas. Muitos candidatos, ainda desconhecidos do público geral, sabem que só terão chances reais de vitória se conseguirem de fato se associar ao Bolsonarismo. É cuidar para que ano que vem o fenômeno seja mais do que uma marolinha.

 

Um pra mim, dois pra você

A defesa do ex-presidente Lula está acompanhando passo a passo o comportamento e o movimento dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e se animam com as possibilidades. Sabem que Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e com menos convicção Alexandre de Moraes estão inclinados a votar a favor de Lula no julgamento do Habeas Corpus que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava-jato. Os ministros citados querem agir com cautela já que o tema é polêmico e bota em dúvida a boa-fé do atual ministro da justiça. Por isso entendem que desqualificar os promotores e preservar Moro seja o melhor caminho. O julgamento deve acontecer nos próximos dias e sem dúvida essa é a melhor chance de Lula nos últimos meses. O STF é a melhor chance de Lula nas instâncias superiores. Sem exageros, o futuro da lava-jato está em risco.

 

Juntos outra vez…

O PSDB e o DEM devem se apoiar mutuamente tanto nas eleições municipais de 2020, como nas gerais de 2022, repetindo a parceria histórica. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), participou nesta terça-feira, 20, da apresentação do deputado Alexandre Frota à bancada do PSDB, com o governador de São Paulo, o tucano João Doria, e juntos deram o mesmo recado ao fim da reunião. Ambas as legendas abriram as portas para Frota que foi expulso do PSL na semana passada, mas ele acabou indo para o PSDB. “O PSDB e o DEM estarão juntos em 2020 e em 2022”, afirmou o Maia, depois da apresentação de Frota. “Estamos cada vez mais próximos e mais fortes. E não tenha dúvida, o fim das coligações vai nos levar a necessidade de uma reorganização partidária onde o Brasil voltará a ter três, quatro, cinco partidos fortes e um desses será certamente uma forte possibilidade de termos o DEM e o PSDB como a mesma força e o mesmo partido de representação”, afirmou.