Coluna Helle Borges 24/04/2019

535
Compartilhar

Mourão X Olavo de Carvalho

A troca de farpas entre o Vice-Presidente Hamilton Mourão e o guru conservador Olavo de Carvalho, um dos principais conselheiros de Jair Bolsonaro, causou saia justa no governo no início dessa semana. O filosofo tem criticado abertamente a presença dos militares no primeiro escalão do governo. Atribui o mau desempenho do governo em algumas áreas a visão por ele chamada de “retrograda” da cúpula militar brasileira. Direto como sempre, Mourão, aconselhou Olavo de Carvalho a voltar a tratar de astrologia, algo que supostamente ele entenderia. Após publicar vídeo de Olavo em suas redes sociais, Bolsonaro não só apagou as postagens, como cobrou de Olavo fidelidade e disse que o guru popstar da direita brasileira tem atrapalhado o governo com suas insinuações. A constante troca de acusações e provocações entre o “guru” bolsonarista Olavo de Carvalho e o vice-presidente Hamilton Mourão levaram o presidente Jair Bolsonaro a se posicionar nesta segunda-feira, 22, pela primeira vez, contra as manifestações do escritor. Em nota lida pelo porta-voz, general Rêgo Barros, Bolsonaro reconheceu que as “recentes declarações” de Olavo “não contribuem para a unicidade de esforços e consequente atingimento de objetivos propostos” no “projeto de governo”. O comunicado do presidente tenta cessar os ataques do escritor que têm provocado divisões na base bolsonarista e no núcleo central do governo. O presidente, no entanto, não quis criticar seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), responsável pelas suas postagens em redes sociais e defensor fiel de Olavo. Nesta segunda-feira, o consenso no Planalto, a despeito das publicações do filho de Bolsonaro, é de que o escritor “passou do ponto”.

A caça às bruxas continua

Em seu primeiro pronunciamento público após o vaivém de decisões em relação ao inquérito sobre ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à censura sobre publicação que cita o presidente da Corte, Dias Toffoli, o ministro do STF Alexandre de Moraes disse nesta segunda-feira, 22, que o assunto já foi resolvido. “Não preciso fazer nenhuma avaliação, isso já foi resolvido na semana passada e nós vamos continuar investigando, principalmente – e esse é o grande objetivo do inquérito aberto por determinação do presidente do Supremo – as ameaças aos ministros do STF”, afirmou a jornalistas durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa, realizado pelo IDP, do ministro Gilmar Mendes, na capital portuguesa. Moraes salientou que a Suprema Corte optou por investigar atuações que têm como objetivo desmoralizá-la. “O que se apura, o que se investiga não são críticas, não são ofensas. Até porque isso é muito pouco para que o Supremo precisasse investigar. O que se investiga são ameaças graves feitas, inclusive, na Deep Web, como foi já investigado pelo próprio Ministério Público de São Paulo”, argumentou. “É um verdadeiro sistema que vem se montando para retirar credibilidade das instituições”, continuou.

Ciro e Marina

Os candidatos derrotados na corrida pela Presidência da República do ano passado Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) criticaram o PT e defenderam que a unidade da oposição não se deve passar pelo partido que governou por 13 anos o País. Para eles, mesmo a votação expressiva do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad não é suficiente para a oposição voltar a “orbitar” em volta da legenda. Os dois participaram de um debate sobre os primeiros 100 dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) organizado pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Cid Gomes no auditório da Interlegis, no Senado. “É um partido que não reconhece erros. Que diz que não houve corrupção, que não houve crimes. Nenhuma autocrítica aos erros gravíssimos. O PT foi uma espécie de chocadeira desse governo que está aí”, afirmou Marina. “Quanto mais estrelas no céu, mas claro o caminho. ”

Cair na real e fazer política

Bolsonaro evita compromissos políticos por associá-los à corrupção. Mas, em algum momento, ele terá de aceitar a realidade e negociar com o Congresso. Quem diz isso é Ricardo Sennes, cientista político e sócio da consultoria Prospectiva. Para Sennes, a população deu um recado claro nas urnas, posicionando-se contra o processo político marcado pela corrupção. Mas isso não significa que os brasileiros rejeitem as negociações políticas ou os políticos tradicionais. “Muitos líderes políticos tradicionais foram reeleitos. O recado das urnas é ‘não faça coalização com base na corrupção’. Não é ‘não faça coalizão’”, diz Sennes.