Coluna Helle Borges 27/03/2019

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 O Poder de Rodrigo Maia

A aprovação da reforma da Previdência Social passa obrigatoriamente pela vontade do Deputado Federal Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados. Experiente, hábil, estrategista e para lá de ardiloso, Maia entende que pode se catapultar no futuro como potencial candidato a Presidência da República. Também sabe que não pode virar as costas para Bolsonaro neste momento mas quer buscar independência para conduzir os trabalhos da nova legislatura brasileira. Nos últimos dias Maia tornou-se desafeto oficial dos filhos de Bolsonaro e também do Juiz Sérgio Moro. Foi a público chamar Bolsonaro de tuiteiro e criticou asperamente a interlocução do governo na Câmara dos Deputados. Tem chamado o líder do governo, o Major Victor Hugo, de amador. Está aproveitando esse momento de exposição para se promover e atrair o protagonismo da reforma da previdência. Entre seus apoiadores o discurso é de que o Brasil está acima de diferenças pessoais e partidárias. Bolsonaro que não é bobo já faz afagos no sentido de controlar o ego de Maia e abrir caminho para o fortalecimento da articulação política. Publicamente em reunião ministerial proclamou a paz e acenou a reaproximação de seu liquido e momentâneo desafeto. Uma coisa é certa, não há porque duvidar do Poder de Rodrigo Maia.

Temer

Durante quatro dias o Brasil teve dois ex-presidentes da República presos e pela mesma operação, a lava-jato, em fases e investigações distintas. A prisão de Temer na última quinta-feira foi mais um capítulo da disputa que cerca de forma colossal a Operação Lava-jato. Após derrotas expressivas no STF a turma de Dallagnol e Marcelo Bretas decidiu mostrar a força da operação que já dura cinco anos. O tiro foi ousado e mirou o ex-presidente Michel Temer, acusado de chefiar um esquema de corrupção que teria tirado 1,8 bilhão de reais dos cofres públicos brasileiros por meio do pagamento de propinas e superfaturamentos. Segundo o MP-RJ a quadrilha atuava há pelo menos 40 anos em várias instâncias do Poder Federal. A prisão chocou o meio político do pais mas deixou uma dúvida no ar: Quanto tempo duraria a prisão de Temer? Bolões foram feitos em todo o Brasil e inclusive na câmara dos deputados. Um grupo de parlamentares no cafezinho do Congresso, ainda na quinta-feira passada, chegou a apostar o tempo de encarceramento. Ganhou o grupo que sabe da força de Temer dentro do judiciário brasileiro. Não custa lembrar que Temer é Jurista, autor de livros que já venderam mais de 250 mil cópias no meio acadêmico. O tiro de Bretas saiu pela culatra.

Moisés

Se fosse em Minas Gerais, diriam que o Governador do Estado de Santa Catarina, Carlos Moisés e um “mineirinho come quieto”. Normalmente contido e de movimentos políticos brandos vem chamando atenção a objetividade e a simplicidade do governador. Aos poucos vai reorganizando as finanças do estado fazendo pouco alarde e recuperando a confiança de credores e investidores. Impressiona o fato de estar se guiando pela prática do governar pelo exemplo. Cortou cargos e gastos do executivo, abriu mão de benefícios pessoais e passou a foice em gastos extravagantes de gabinetes e secretarias. Apesar do alarde com as contas públicas, segundo a equipe técnica, preocupantes, os primeiros números da economia gerada pelas ações do executivo são impactantes. Até o momento a economia já alcança a marca substancial de 1,5 bilhão de reais. Moisés aposta que organiza a casa no primeiro semestre e investe para valer no segundo em quatro áreas fundamentais: saúde, educação, segurança e turismo.

Álvaro e sua cruzada

O Líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias (SP), defendeu que o Congresso adote prioridade nas pautas de combate à corrupção. “Não vejo razão para adotar uma estratégia de protelação. Por que não votar projeto que é uma aspiração quase que unanimidade nacional?”, disse ele durante encontro do seu partido nesta segunda-feira, 25, em Brasília. O adiamento da tramitação do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, na Câmara, para priorizar a reforma da previdência, foi um dos pivôs da crise entre os poderes nos últimos dias. Álvaro Dias é um dos principais defensores do projeto que altera as regras para o foro privilegiado. Ele é autor da proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema que foi aprovada pela Câmara em dezembro. “Fim do foro privilegiado será um salto evolutivo”, defendeu o senador.

Lei Anti-chifre

Candidato a coordenador da Frente Parlamentar Evangélica na Câmera dos Deputados, o parlamentar Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) virou alvo de comentários e críticas nas redes sociais ao longo dos últimos dias. É que, na campanha para chegar ao posto, ele apresentou uma proposta, no mínimo, inusitada. Pretende levar cônjuges de parlamentares para morar em Brasília, no que foi chamado de “promover reuniões com cônjuges de parlamentares”.
O objetivo? Evitar que os deputados ou deputadas, longe de seus companheiros, se envolvam em relacionamentos extraconjugais. É pra acabar…