Coluna Helle Borges

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Rejeição

Pesquisa XP/Ipespe realizada entre os dias 11 e 13 de março registra queda na aprovação de sete pontos percentuais de Jair Bolsonaro. Em menos de três meses no cargo a avaliação positiva (ótimo e bom) do ex-capitão caiu de 40% para 37%. Chama a atenção o fato de ser o mais baixo índice de um presidente em início de mandato. Na outra ponta, o percentual daqueles que consideram seu governo ruim ou péssimo subiu de 17% para 24% no período. A avaliação regular manteve-se em 32%. Segundo os analistas esse aumento da rejeição era esperado em virtude da apresentação da proposta impopular de emenda complementar que altera a Previdência Social. Interlocutores do governo também admitem desgaste da figura do presidente em algumas situações que envolveram as redes sociais. Analisam que Bolsonaro se comportou como um cidadão comum em assuntos de pouca relevância no cenário nacional. A expectativa é que a viagem de Bolsonaro aos EUA e a nova ofensiva de aproximação junto a jornalistas possa contribuir para o surgimento de pautas positivas que alavanquem a popularidade do presidente.

Visto unilateral
Na segunda-feira (18) o governo Bolsonaro anunciou a edição de decreto oficial que acaba com visto de entrada para turistas americanos, canadenses, japoneses e australianos no território brasileiro por período de 90 dias prorrogáveis até dentro do limite de 180. O anuncio ocorre em meio a viagem do presidente aos EUA. Naturalmente a medida visa facilitar a entrada de nativos dessas nações que possam contribuir economicamente com fluxo de capitais e trocas de experiências nos mais variados campos e cidades brasileiras. Bolsonaro afirma que a medida é unilateral pois não exige das nações agraciadas o mesmo tratamento em relação a brasileiros oriundos do Brasil. Perguntado sobre o decreto o chanceler Ernesto Araújo disse haver expectativa no governo que essas nações possam no futuro flexibilizar as condições para a entrada de “bons” brasileiros. Corroborando a tese, Bolsonaro e seu filho Eduardo, foram infelizes ao generalizar como mal-intencionados os brasileiros ilegais em território americano. Deu pano para a manga.
Bolsonaro e a entrevista a FOX News
“Nós vemos com bons olhos a construção do muro” e “A maioria dos imigrantes não tem boas intenções”, afirmou Bolsonaro em entrevista à rede de TV Fox News, nesta segunda-feira (18). A declaração do presidente foi feita no mesmo dia que o presidente dispensou os cidadãos de 4 países da necessidade de visto para viajar ao Brasil. No sábado, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no último sábado (16) declarou “o brasileiro que vem para cá (EUA) de maneira regular é bem-vindo. Brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, é vergonha nossa”. Após essas declarações uma verdadeira guerra se desencadeou nas redes sociais. As hashtags, #BolsonaroVergonhaDoBrasil e #BolsonaroOrgulhoDoBrasil passaram a dominar o twitter e envolver centenas de milhares de brasileiros. Bolsonaro continua sendo um fenômeno…pelo menos nas redes sociais.

Sobre a Venezuela
Sobre a situação da Venezuela, o presidente disse a Fox que o Brasil tomaria rumo parecido se continuasse sendo comandado por governos petistas. Pouco antes da entrevista, durante discurso, Bolsonaro disse que o Brasil conta com apoio e a capacidade bélica dos EUA para “libertar o povo” da Venezuela. A cúpula militar brasileira que hoje atua no executivo nacional discorda de Bolsonaro e defende o diálogo como forma de redemocratizar o vizinho.

Dilma Rousseff lidera gastos de ex-presidentes com servidores
Cassada há quase três anos, a ex-presidente Dilma Rousseff apresentou uma fatura de mais de meio milhão de reais em 2018 ao Palácio do Planalto. O dinheiro pagou viagens de assessores mantidos à sua disposição pelo governo. A petista gastou mais do que a soma de despesas dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva – que também têm direito ao benefício. Anota aí: Os gastos foram de 632 mil reais com diárias e passagens. Isso sem contar salários. A União põe à disposição dos cinco ex-presidentes um total de 40 funcionários, oito para cada um, além de dez veículos oficiais. A Secretária-geral da Presidência informou ao Estadão que o dinheiro é destinado ao custeio dos assessores, e não dos ex-presidentes diretamente. Dilma foi procurada para comentar as despesas, mas não quis se pronunciar. E você ai achando que o problema é sua aposentadoria.