Coluna Juquita Carvalho 21/03/2019

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Breves apontamentos nessas
noites de insônia (10)

Em nome do dualismo e da necessária desordem criativa, há que ser quebrada a suposta e incerta e duvidosa perfeição da simetria.
Sem o caos mental não existe obra de arte.
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O homem ciumento é um pobre coitado, um sofredor, um escravo, uma espécie de doentio detetive que procura pistas, vestígios, contradições que possam atestar a infidelidade da sua mulher.
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Como eram tristes, sérios e judiados aqueles imigrantes naquelas fotografias antigas, amareladas pelo tempo, com suas roupas cinzentas quando posaram na frente do retratista.
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Se queres ser reconhecido por algum talento teu, te misturas no meio das pessoas estranhas. Porque serão elas que primeiro aplaudirão teus dons, já que teus parentes são o poço profundo e escuro da inveja; que vêm deles, disfarçado na indiferença forçada, no pouco caso ensaiado, o desejo da tua não prosperidade.
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(…) porque o outro que eu sou – o escritor –, exige tudo de mim. Me esgota, aquele canalha.
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Foram 4 as casas da minha infância. Que tristeza; hoje todas elas estão derrubadas.
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PALAVRA: a menor partícula do pensamento.
FRASE: um pequeno tiro – o mais importante disparo da expressão.
PARÁGRAFO: um oceano de palavras e frases onde se pode contar a aventura humana aqui na Terra.
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A “moda” é para quem não tem estilo próprio.
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As lágrimas saem pelos olhos quando a alma se sente comprimida. É a lágrima, o suco – a seiva – que verte da alma apertada.
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LIBERDADE, palavra que escorre fácil dos lábios do povo. Que de quase todos que se dizem livres, nem imaginam eles o real sentido – o significado – de ser plenamente liberto. Sequer sabem o alto preço que se paga para se poder pronunciar: sou o único dono das minhas vontades.
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