Coluna Juquita Carvalho 23/05/2019

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Breves Apontamentos

Nessas Noites de Insônia (25)

Diz o povo que as prostitutas são putas da pior espécie.
Que nada, estão ali se prostituindo empurradas pela pobreza ou porque foram expulsas de casa por conta de uma gravidez não desejada.
Prostitutas mesmo, se for para usar o termo na aplicação correta, são essas que se casam de olho na grana do marido-patrocinador.
Assim é, e o resto é só malabarismo verbal.
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A gaita, a velha sanfona, é o pulmão da gente tocando música.
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O autor não tem que explicar o texto. O texto tem que falar por si. O texto tem que chegar sozinho aos olhos do leitor. O autor não pode ser maior que o texto, embora os textos possam colocar renome no nome do autor.
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Apenas a arte nos retira dessa medonha escravidão humana que estamos metidos. É a arte o clarão que ilumina nossas almas nessa miserável caminhada; dessa morte que desde que nascemos já nos espia pela fresta da janela do quarto, onde está o berço que guarda o nosso corpinho inocente.
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Se de um talento tu fores dono, não adianta querer dele te escapar. Um dia ele vem te buscar, nem que seja para ti passar fome por conta deste dom. É que o teu talento, a tua arte precisa do teu corpo para conseguir se manifestar. Então, a tua estrutura corporal será o boneco, a marionete, o fantoche através do qual essa aptidão, essa habilidade única que em ti se instalou, usará para existir diante dos olhos de todas as demais criaturas que habitam este duro chão com suas vidas repletas das rotinas cotidianas.
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Sempre, as ervas tidas como daninhas – essas plantas que nascem de modo selvagem – são elas mais fortes, mais valentes, mais resistentes aos ataques da natureza, que as demais plantas cultivadas.
De onde veio a certeza entre nós, de que o mal possui mais força que o bem.
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O lenço que seca a lágrima faz o mesmo gesto da garganta que engole o choro.
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A inocência da criança existe em nós, antes da gente virar demônio.
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Se inteligente, perde o religioso crente, parte importante da sua inteligência. Inteligência, que apagada ficou na escuridão do fanatismo – bêbado de religião, contaminado por horrível fé cega, do jeito que ficou aquele que aceitou ter os seus olhos vendados.
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