Coluna Juquita Carvalho 25/04/2019

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Breves Apontamentos Nessas

Noites de Insônia (17)

A literatura é feita de ideia e imaginação – ideia aprimorada, invencionice e criatividade; e muito
trabalho e disciplina.
Daí que não existe, tanto no conto como no romance,
essa coisa que os românticos chamam de
“inspiração”.
***

Quando não nasce pronta a frase perfeita que o poeta precisa, a danada ainda circula disforme, tal uma
cerração dentro do seu crânio.
É uma dura luta que trava o poeta; ele, concentrado, com os pensamentos em alvoroço, com as ideias desordenadas, no caos que antecede a criação.
Mais adiante, no decorrer do combate, após o grande esforço mental, aqueles pensamentos vão se acalmando, vão se alinhando, vão se purificando, vão se enxugando. Então, como que arremessada para fora, como que lançada do centro de um redemoinho, a ideia aparece limpa, organizada, pronta; construída na forma de frase,
vestida de tinta, escorrendo líquida na ponta da
caneta do poeta trabalhador.
***

E essas despedidas calorosas, com fortes abraços e lágrimas descendo rosto abaixo; até parece que estão dizendo adeus para aquele que irá morrer durante
a viagem.
***

Toda a fé e toda a esperança e todos os mais lindos desejos e todas as orações que clamam por milagres, tudo isso sempre termina dentro de um buraco de um cemitério qualquer.
***

As nuvens pesadas que se reboleiam na escuridão – na verdade são elas imensos novelos de algodão-doce
que os fantasmas comem, na maior algazarra, depois
de assustarem os seus parentes vivos, nas noites
de tempestade.
***

Afinal, nesse tempo que aqui você respirou, você viveu ou você apenas existiu?
***

O pirulito é o picolé que não quis ser congelado.