Coluna Paulo Nascimento

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Todos Imitam Ele 

Quando se fala de umbanda e de candomblé, um nome fora o de Mãe Menininha e mais 3 mães de santos se sobre sai. Existem muitas histórias sobre Joãozinho da Gomeia. “De família católica, o menino João Alves Torres Filho foi iniciado para o mundo do candomblé na feitura de santo pelo Pai Severiano Manoel de Abreu, e no terreiro do Gantois com Mãe Menininha. Em 1924 aos 10 anos, o garoto já havia dado mostras de sua personalidade forte, porem para outros estudiosos, João sequer foi “feito’ (iniciado), há filhos de Joãozinho que contam detalhes de sua feitura, como a Iyalorixá Maria José dos Santos, de 92 anos, que declarou ao Correio da Bahia:

“Eu duvido que, se ele fosse vivo, alguém tivesse coragem de questionar isso na frente dele”.

Um excelente dançarino, homossexual, espichava os cabelos com pente quente e isso era na época, proibido, pois a cabeça era, onde habita o santo! ” João “recebia” um caboclo. Os caboclos não são Orixás, mas sim espíritos, indígenas, sem relação com a África. Assim ele comprou briga feia com o seu, candomblés de caboclo, alvo de desprezo do povo-de-keto, zelosos de sua “pureza” africana, nessa época, comandados por Arthur Ramos e Edison Carneiro. (Briga feia, mas feia.). Ele colocou cores e inventou trajes diferente dos africanos, tecidos furadinhos, inventou guias de conta de plásticos, criou ritos e regras a seus filhos de santo. Criou pontos em português. (Fez discos), O certo é que João foi um homem não só adiante de seu tempo. Homossexual no início do século XX; pai-de-santo que afrontava e se vestia de mulher, não podiam “receber” o Orixá em público, as Iyalorixás mais velhas foram a loucura (respeito.), não sabiam como encarar as novidades trazidas e criadas por Joãozinho na umbanda. Também na verdade que, ele, tratava com mão de ferro seus filhos, era muito autoritário e enérgico. (Hora de gira era hora de gíria, chegou atrasado não venha, exigia aos berros, pês descalços… em respeito ao meu barracão. Gritava e fez até presidente da república e comitiva, artistas, tevês, todos… tirarem o sapato para pisar no seu terreiro.

“ Aqui se pisa sem barulho doutor!… Sem barulho na minha banda… tira seu sapato na porta da assistência, aqui todos são iguais … Pé no chão é primeira lição. ” Quem entra de sapato me traz feitiço…quizila! Sabe que o acentamento não pega, não defende.) Seu terreiro gigantesco, era na Ladeira de Pedra, a qual João mudou para Rua da Goméia. Sabia do poder da imprensa e manteve relações importantes a revista O Cruzeiro, deixando-se fotografar com os trajes dos Orixás e com eles incorporado. Em 1956, participou do carnaval vestido de mulher. O assunto rendeu uma polêmica terrível com outros babalorixás e chefes de terreiros da Umbanda. Participou de shows no Cassino da Urca, apresentando as danças dos Orixás. (Fúria na Bahia, POR ISTO!) Chegou a participar do filme “Copacabana mon amour”, no papel de um pai-de-santo que faz um ebó na atriz Helena Ignez. (youtube )

Em 1966, voltou à Bahia e deu “obrigação” com Mãe Menininha do Gantois. Ele mudou e criou a imagem do que é a umbanda hoje. Chefe de um dos maiores terreiros do Brasil, em tamanho e número de médios, mas de 6 mil em dias de festa. Em gírias normais 3 a 4 mil filhos de santos, em um pavilhão, quem inventou ou revelou os pontos mais antigos e bonitos da umbanda, ele ensinava os passos a seus médios no seu terreiro, determinando o que seria na umbanda os passos e trejeitos de cada orixá o que na época virou uma revolta terrível das Ialorixá do candomblé ao ponto de virar caso de polícia. (Não aceitavam que ele inventasse modas.) depois de muita luta, muito esforço e através de seu carisma e popularidade, tendo clientes militares e famosos, mas sem nunca deixar sua personalidade forte venceu, colocara correntes na umbanda que não existiam nem tão pouco no candomblé como boiadeiros, caboclos, baianos, marinheiros o que revoltou mas ainda os terreiros tradicionais, ele recebeu em seu terreiro a visita da bruxa cigana uruguaia Paula Martins Melo, maior bruxa cigana da história ( vou falar dela depois ), a qual ensinou magia e bruxaria cigana a ele, quando ela faleceu ele usando a cor negra e vermelha colocou a linha cigana nos exus, imitando os ciganos uruguaios que o visitara. (Por isto dos trajes ciganos flamencos, lenços, cartolas, punhais, cigarros, cigarrilhas, e do taro.) Mas polemica. Porem Paula antes de morrer tinha dado permissão a Joaozinho de trazer uma corrente cigana a suas gírias. Desde que tocasse um sino cigano de cobre, (cobre é de oxum) mas confusão…pois, seriam chamados com os exus.), o povo cigano não aceitou, e ele foi ameaçado de morte. Este ano foi homenageado no carnaval RJ-2020.