Coluna Vanessa Brasiliense Barcelos 02/05/2019

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GOT – O alívio cômico
da modernidade

(não contém spoilers)

Pois é leitores, o Brasil sempre foi um país com diversos problemas nas mais distintas instâncias. Sempre servimos de plateia para falcatruas políticas, violência, assassinato, fome, miséria e desgraça. Dificilmente as coisas vão melhorar no Brasil. A meu ver, estão cada vez piores e muitos dados estatísticos confirmam isso.

As redes sociais abriram espaço para a inutilidade e deram voz a pessoas desprovidas de bom senso, caráter e humanidade. Ao abrir o facebook nos deparamos com desgraça seguida de desgraça. Dez jornais noticiando a mesma coisa e em todos eles, uma chuva de comentários. Pessoas que nunca se viram na vida se estapeiam virtualmente para querer fazer valer sua opinião. Você não tem mais qualquer privacidade e, ao invés de debater de forma saudável, as pessoas atacam você com as mínimas informações que você deixa ali na sua página, postadas para todo mundo ver. Isso é tão verdade que dia desses fui atacada por ser (pasmem) egressa da Univali. Isso serviu como ponto de partida para um cidadão me esculachar porque ele teve problemas com a instituição. Pelo nível de seus comentários, para ele, eu devo ser uma pessoa que nem valho o que como, porque me formei na faculdade que expulsou o cidadão. Sim, é ridículo e surreal, mas óbvio que não retornei os comentários.

Dia desses, na fanpage da revista Rolling Stone, vi uma notícia que dizia que os fãs de Britney Spears estava fazendo vigília em frente ao hospital psiquiátrico que ela está interna afirmando que a cantora estava ali à força. Uma garota de 19 anos comentou dizendo que não sabia que ainda existiam fãs da Britney, seguida de um comentário que atestava a legião de fãs da pop star. Nisso, a garota de 19 anos, que era fã do Red Hot Chilli Peppers, já começou a xingar a Britney, dizendo que sua carreira estava morta. Em seguida, os fãs da cantora pop entraram na briga para defender sua diva e xingar o RHCP…. E assim nasceu a briga mais estúpida de uma sessão de comentários que já tive o desprazer de ver. Sim, chegamos nesse nível.

Acho que vocês devem estar tão exaustos quanto eu de toda essa problematização, né?! Desgraça, política, gafe, fake news, prisão, prende, solta, entrevista, guru, twitter…. Nosso cérebro dá um nó. Já me peguei diversas vezes rolando na cama com insônia pensando nisso tudo, com a cabeça a milhão por hora. Porém, há cerca de um mês lembrei de algo que estava esperando há um ano e meio: a oitava e última temporada de Game of Thrones.

Como diria Raul Seixas: quem dera fosse burro, assim não sofria tanto. Quanto mais despreocupado com as controvérsias do mundo, mais feliz é o cidadão. Jamais vou concordar com as pessoas alheias às problemáticas que nos rodeiam, mas também, viver somente em função disso, não é saudável; não é vida. Foi nesse momento que me peguei nos últimos tempos: perdendo o sono com situações que fogem do meu controle, tentando encontrar esperança e justiça no mundo. Estava quase pirando na batatinha…. Quando a HBO finalmente exibiu o primeiro episódio dessa temporada.

De lá para cá, aprendi a relaxar. Intercalado com as notícias diárias, li diversas teorias e conspirações que rodeiam Westeros. Meu companheiro e eu passamos o feriado de páscoa nos informando mais sobre a lenda (ou não) de Azor Ahai. Desenvolvemos nossas próprias teorias sobre o fim da saga: quem vai ocupar o trono de ferro, afinal? O que querem os White Walkers? Será que o final da série será igual ao do livro? Será que o Jaime vai matar a Cercei? E a Khaleesi, vai abrir mão do trono agora que descobriu que o Jon também é Targeryan? E o Bran, qual é a pira do Bran afinal?

Como diria meu colega Caíque, eu não sou fã de GOT, porque quem é fã mesmo sabe até os nomes das espadas (o Caíque é minha maior referência nerd do mundo), mas gosto demais dessa série. Vejo muitas pessoas problematizando também GOT, mas eu enxergo que é apenas uma estória, com pessoas e situações fictícias, mas que me salvaram da minha própria depressão e ansiedade no último mês. Por mais pesado que seja, Game of Thrones é uma válvula de escape. É uma preocupação despreocupada e despretensiosa. Por mais que seja extremamente violenta e forte, a série se tornou um alívio cômico na minha vida. Tanto, que na noite passada, quando acordei com insônia, fiquei lendo sobre os países em que a série foi gravada e consegui pegar num sono em seguida. A noite é escura e cheia de terrores…. Mas a situação brasileira dá muito mais pânico, terror e aflição do que o Rei da Noite – sem sombra de dúvidas.