Coluna Vanessa Brasiliense Barcelos 13/06/2019

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Celebrações

desnecessárias

Puxei ao meu pai; sou o tipo de pessoa que adora dar presentes! Adoro elaborar algo diferente para presentear uma pessoa querida. Porém, ao contrário de meu pai, não vou tanto pelo valor financeiro e sim pelo valor sentimental da coisa. Prefiro receber um livro com uma dedicatória sincera do que uma bolsa de marca, por exemplo. Afinal, a bolsa custou dinheiro, mas o valor sentimental de um livro com dedicatória, não tem preço.

Por mais que eu adore dar presentes, os meus favoritos são os de aniversário. Presente de dia das mães, pais, namorados, crianças, páscoa e até natal, para mim, soam obrigatórios. São os clássicos frutos do capitalismo – datas que existem para enriquecer os empresários e lotar as lojas de departamentos. O aniversário não. Cada um tem o seu, é uma data exclusiva para que a pessoa seja lembrada pelos que a amam. Por isso, os presentes de aniversário são, definitivamente, os mais significativos.

Já fiz uma coluna falando sobre o fantasma do natal; como tenho trauma dessa data e de tudo o que ela representa. Engraçado, logo a data mais significativa do ano, para mim poderia passar batida, tamanha a carga emocional negativa que ela tem. Depois que meu pai morreu, o dia dos pais também se tornou um tormento, bem como o dia do aniversário dele. São datas que me reservo um tempo para ficar sozinha, remexendo nos meus fantasmas e fantasias, tentando matar a saudade que me mata.

Uma grande amiga minha foi muito abusada pela mãe quando era criança. Logo que viu uma oportunidade, minha amiga saiu de casa e deixou sua mãe e a irmã mais nova. A mãe era tão terrível que minha amiga implorava para que seu pai se divorciasse dela. Essa amiga é uma pessoa muito bem resolvida, mas o dia das mães para ela…. É dolorido de mais. Mesmo ela mesma sendo mãe, esse é o dia dela se trancar no quarto e refletir sobre sua própria vida.

O dia dos namorados é a próxima data comemorativa do calendário anual. Esta data tem um significado diferente para os nichos de pessoas. A grosso modo: quem está namorando, adora a celebração; quem está solteiro, a detesta. O dia dos namorados impulsiona aqueles que estão ficando a assumirem um compromisso fixo; aqueles que estão brigando a fazerem as pazes; aqueles que estão cozinhando @ parceir@ em banho maria, a tomar uma decisão cheia de pressão.

Mas um fato sobre essa data me chamou a atenção. Fiz uma pesquisa sobre as intenções de compra para o dia dos namorados para um cliente e vi que, de acordo com um instituto de pesquisa, mais de 20% dos casais entrevistados concordou em não mais presentear no dia dos namorados. Lógico que a crise em que o Brasil está se afundando, ajuda muito. Mas mesmo assim achei bem curiosa essa iniciativa.

O dia dos namorados para mim também não é algo de extrema importância. Durante anos serviu apenas como uma data para ganhar e dar chocolates para o meu “par”. Esse ano servirá para fazer um passeio super agradável pela São Paulo que meu “par” e eu nunca vivemos. Programamos tudo: peça de teatro, show, restaurante, hotel…. Tudo acertado desde abril. Agora que percebemos que, sem querer, esse foi o presente de dia dos namorados que cada um deu para si próprio…..
E ficamos muito satisfeitos.