Coluna Willian Aimar 15/04/2019

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O principal valor da
profissão de chef de cozinha

Alguns dias atrás conversava com uma nova colaboradora que me perguntava como eu havia definido que seria um chefe de cozinha.
Disse a ela que não foi algo tão planejado foi a sequência de algumas escolhas que definiram a minha profissão. Primeiramente foi a de estudar na escola Senac e depois de me formar Bacharel em gastronomia. O Senac foi o primeiro passo onde ali já comecei a me encantar por um universo tão grande que quanto mais se estuda mais se percebe o seu real tamanho.
Percebi que havia uma longa trajetória e muitas escolhas já que as possibilidades também eram muitas e os vários segmentos dentro deste setor, com diferentes possibilidades onde um chefe de cozinha poderia trabalhar. Mas é claro eu ainda não era um chefe de cozinha, estava nos primeiros passos para me tornar um bom cozinheiro. Esse processo de formação primeiramente de um bom cozinheiro é necessário para poder gerenciar e organizar as atividades de uma cozinha como é comum dizer “é preciso saber fazer para poder delegar”.
Quanto mais eu me conhecia e minha maturidade se desenvolvia, entendia quais os caminhos queria seguir. Mesmo que essa profissão tenha geralmente uma jornada de trabalho um pouco diferente de algumas outras, também oferece um tipo retorno sobre a relação de servir a alguém (gratidão).
Pode ser um simples lanche em uma lanchonete, um serviço de catering, realizando o sonho de uma noiva, um jantar para um grupo de amigos que gostam de beber um bom vinho degustando uma ótima refeição.
A um grande espaço para profissionais liberais que preparam serviços exclusivos, confeiteiros preparando verdadeiras obras de arte para entregar em residências, chefes que produzem refeições específicas e muito mais.
Em nenhum momento eu citei retorno financeiro, esse cresce em uma constante também, geralmente compatível com o seu crescimento profissional na área da gastronomia.
Alguns dias atrás estava passando nas mesas conversando com os clientes como havia sido as suas refeições, o que acharam dos pratos que pediram, coisas assim; encontrei um casal de São Paulo muito simpáticos, eles conversavam me olhando nos olhos, agradecidos por um momento muito especial que estavam vivendo ali naquele restaurante. Perguntei o ponto da carne, se gostaram do serviço dos garçons, da maciez do nhoque, do equilíbrio do molho, coisas da gastronomia “coisa de chef”.
A senhora me falou que havia sido uma das suas melhores refeições; fiquei muito feliz quando seu marido mais calado na mesa me comentou que o ponto da sua carne estava perfeito e que com seus sessenta anos ele já havia feito refeições maravilhosas em ótimos resultantes no Brasil e no exterior, mas que nunca um chef de cozinha havia ido até sua mesa e le perguntado como a sua refeição estava.
Ele agradeceu com um sorriso e me perguntou qual sobremesa eu poderia oferecer a eles, acabou por aceitar um clássico da hotelaria, creme de papaia com cassis, fiz uma gentileza a sua esposa que disse gostar muito de pudim, eu também adoro e naquele dia havia servido um buffet ao meio dia e sabia que tinha na cozinha ainda pudim; fui até a cozinha e preparei um prato bem apresentado para ela, levei a mesa, ela ficou felicíssima. Tiramos uma foto e percebi nos olhos daquele casal mais uma vez qual o real sentido de alguém que ama o que faz, servir com qualidade cada cliente, oferecer um momento especial na vida de cada pessoa que busca uma refeição fora do lar.
Sabe aquela colaboradora que citei no início do texto e que estava cheia de dúvidas tentando se encontrar e escolher qual profissão realmente ela iria investir. Sugeri a ela que fizesse um teste vocacional e se ela realmente percebesse que a gastronomia pode ser a sua profissão, certamente sempre haverá espaço para pessoas dispostas a encantar outras pessoas.

Sou Chef Willian Aimar um apaixonado por servir e encantar pessoas!