Correios têm atrasos nas entregas de correspondências em todos os bairros

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Cadê o carteiro?

Nossa equipe levantou que hoje, todo o município de Itapema, está sofrendo com os atrasos nas correspondências. Saiba como o consumidor deve proceder com as contas atrasadas.

A última vez que a aposentada Zilma da Rosa Amaral recebeu correspondências em seu endereço, na rua 448, número 369, no bairro Morretes, em Itapema, foi no dia 24 de janeiro. Há quase um mês o carteiro não passa pela rua e, com isso, vem a preocupação com os vencimentos das contas. “Até o carnê do IPTU tive que ir retirar na prefeitura. As faturas das minhas contas que vencem no início do mês ainda não chegaram e ficamos nessa correria entrando em contato com as empresas pedindo uma saída”, reclama a moradora. Entretanto, o problema com o atraso nas correspondências não acontece só com a dona Zilma. Lilli Carla Rocha, que mora no outro lado da cidade, no bairro Ilhota, também relata que a comunidade está sofrendo com o atraso das correspondências. “Ainda não recebi meu boleto, a minha parcela está para vencer. E como fica? ”, questiona. Já a dona Nelci Tacca, que mora no bairro Casa Branca, informou a nossa reportagem que suas contas venceram no dia 10 e até o presente momento nada foi entregue em sua caixa de correspondência. “Todos os meses acabo pagando com juros”, diz.

Problema em todos os bairros

Pela internet, por meio da nossa página no Facebook, choveu reclamações sobre os Correios da cidade. Praticamente todos os bairros do município estão sofrendo com a distribuição das correspondências. A moradora Shirlei Albano, relata que a comunidade rural do Sertão do Trombudo, no interior de Itapema, tem uma situação pior, pois nem carteiro chega lá. “As nossas correspondências quando chegam, vão parar lá no postinho de saúde, para gente ir pegar”, enfatiza. Já o itapemense Douglas Agostinetto informou que desde o mês de novembro não recebe contas de telefone celular. “Moro aqui no Sertãozinho e tenho que ligar na empresa de telefonia e pedir código de barras porque a fatura não chega. Vania Silva, que mora no Alto São Bento e Girliane Matias, que mora no Tabuleiro, também relatam o atraso nas correspondências, ou seja, Itapema vive hoje uma verdadeira crise na distribuição.

 

Agência do Centro cheia

Na tarde de ontem, nossa equipe foi até a agência dos Correios no Centro da cidade, por volta das 16h, e deparou-se com uma verdadeira multidão atrás das correspondências e outros serviços. Para ajudar, o sistema havia caído, prejudicando ainda mais o cidadão. Entre a categoria, o sentimento é de que a situação, que vinha se agravando há anos, está pior. Com muito trabalho para pouca gente, as postagens simples viraram uma bola de neve.

— O cliente não conhece os Correios, só o carteiro. Somos nós que estamos expostos. Hoje, um faz o trabalho de três — relata um carteiro.

Com o excesso de trabalho e falta de pessoal, os carteiros ficam menos tempo na rua, fazendo entregas, pois a triagem é cada vez mais demorada.

No município, a distribuição das correspondências é feita por meio de 10 distritos postais, algumas comunidades rurais como Sertão do Trombudo, as cartas são deixadas no posto de saúde. Já no Alto Areal, os moradores vêm buscar na própria agência. “Vale destacar uma coisa, quando os carteiros não encontram o endereço, as correspondências não ficam no Correios, elas são devolvidas ao remetente”, explica Laertes Koch, diretor dos Correios de Itapema.

 

O que fazer com as contas atrasadas

Se o problema for eventual, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) recomenda que o consumidor contate o fornecedor e pergunte se há outras formas de pagamento, como emissão de segunda via do boleto pela internet, depósito bancário etc., para evitar ficar em débito. Agora, se a falha for recorrente, é importante que o consumidor identifique a fonte do problema: se é com os Correios, com a distribuição de correspondências no condomínio ou com o fornecedor. Para não ficar com o prejuízo, o Idec sugere que o consumidor comunique o problema formalmente à empresa, enviando uma carta com aviso de recebimento (AR) e peça uma outra via da fatura ou pague com o boleto atrasado e depois peça ressarcimento dos juros e multa cobrados. Se o banco não concordar em não cobrar os juros e a multa, ou ainda enviar o nome do consumidor ao sistema de proteção ao crédito (SPC), o consumidor pode lutar por seus direitos na Justiça.

 

Sem taxa de boleto

Nunca é demais lembrar que a emissão da fatura não pode ser cobrada. Uma norma aprovada em 2009 pelo Banco Central (resolução 3.693/09) confirmou a proibição à chamada “taxa de boleto”. A cobrança já era considerada ilegal pelo CDC (artigos 39, V, e 51, IV), pois as despesas relacionadas ao processamento da fatura são inerentes à atividade do fornecedor e não devem ser repassadas ao consumidor.