Gasolina, luz e gás de cozinha: alta de preços pesa no bolso dos brasileiros

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Economia

Botijão de gás, gasolina e energia elétrica estão entre produtos que ficaram mais caros nas últimas semanas, o que tem levado o brasileiro a buscar alternativas. Alta nos preços ocorre em função do valor do barril de petróleo

O botijão de gás é o mesmo. O preço, não. Em cada distribuidora do Distrito Federal, o valor varia e, a cada dia, aumenta. De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a alta média do gás de cozinha nas últimas quatro semanas no Brasil chegou a 4,3%. No Centro-Oeste, o botijão de 13kg é encontrado por até R$ 130.

Na Estrutural, a alta do gás mudou a rotina da população. É o caso do arrumador de mercadoria Antônio Batista de Melo Júnior, 31 anos, morador da comunidade Santa Luzia, no Distrito Federal. Ele conta que costuma comprar um botijão a cada cinco meses. “Eu moro sozinho e compro só quando falta. Não compro reserva”, conta. Para Antônio, o aumento tem dificultado a vida do brasiliense. “É complicado. Era algo que não deveria aumentar, estamos passando por um momento de dificuldade. Imagina só pra quem tem família?”, indaga.
Na média do país, o gás de cozinha custa R$ 88,94, quase 10% do salário mínimo. Para tentar economizar, Antônio buscou alternativas. “Eu sempre fecho o registro depois que uso e procuro evitar ao máximo usar o gás. Tento utilizá-lo só na hora do almoço. Eu faço comida todo dia. Às vezes, dá preguiça no sábado, então vou a algum restaurante”, ressalta. Antônio diz que também percebeu o aumento no valor dos pratos executivos. “Tudo aumentou muito”, comenta.
Antônio costuma comprar gás em um depósito na Vila Estrutural. Lá, o botijão custa R$ 90 para retirada e R$ 95 para entrega. Gessival Moreira Gomes, proprietário do local, conta como o aumento tem impactado nas vendas. “Caiu, mais ou menos, uns 25%, porque quem comprava os reservas não compra mais. Muitas pessoas têm recorrido ao fogão elétrico, apesar da energia cara”, explica.
Segundo Gessival, as quedas nas vendas tiveram início na greve dos caminhoneiros, em 2018. “Depois estabilizou, mas aí voltou a cair novamente por causa da pandemia. Por um momento, melhorou um pouco, porque o povo começou a ficar mais em casa. Mas, depois, as vendas caíram”, conta. A instabilidade do comércio durante a pandemia e o fechamento de restaurantes também contribuíram para a queda no faturamento. “A venda para o comércio caiu cerca de 35%”, diz o empresário. Com isso, foi preciso reduzir o quadro de funcionários: cerca de 70% deles foram demitidos. “A gente pensa que, no próximo ano ,vai melhorar, com essa vacina. Porque sem trabalhar, não tem como”, comenta.

Gasolina
O preço médio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da gasolina diminuiu cerca de R$ 0,10 com a chegada do mês de julho. Apesar da queda, a conta final continua alta para o consumidor. Quem trabalha com transporte vive a inconstância dos valores do combustível. O taxista Manoel Vera Martins, 53, explica que a classe tem sofrido nos últimos tempos. “Depois do carro, o combustível é a ferramenta principal pra gente. Esse preço sobe e baixa. Às vezes, baixa R$ 0,10, mas quando aumenta, é cerca de R$ 0,50. É um impacto muito grande no nosso trabalho”, conta.

De acordo com o motorista, o gasto com combustível chega a consumir cerca de 35% a 40% do faturamento dele. “A queda na procura do táxi foi terrível. Há a concorrência com motoristas de aplicativos, e veio a pandemia. A chance da pessoa deixar de usar o carro próprio para andar de táxi é difícil. Aqui em Brasília, os nossos clientes costumam ser gente de fora. Tanto é que os pontos de táxi são localizados em porta de hotel, aeroporto, rodoviária”, aponta.
Com a queda do turismo na capital durante a pandemia, o serviço sofreu uma redução de 70% a 75%, segundo o motorista. “Teve dia que fizemos um total de zero corridas. Ano passado, no começo da pandemia, não fazíamos nada. Foi dando uma melhorada”. Casado e pai de dois filhos, Manoel diz que está à procura de novas oportunidades. “A gente está se virando do jeito que pode. Pagamos um boleto aqui, deixamos um de lado ali. Nos viramos com a ajuda do governo, que é pouca, mas não deixa de ajudar. A gente vai se adaptando, até porque agora temos de procurar viver com pouco dinheiro”, acrescenta.

Petróleo
Segundo o presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, César Bergo, os aumentos ocorrem em função da alta do preço do petróleo no cenário internacional. “Ainda não é maior porque a moeda estrangeira, que é o dólar, que serve de cotação de precificação dessa commodity, vem caindo no Brasil. A queda tem evitado aumentos maiores, embora o petróleo venha, sucessivamente, apresentando altas no mercado internacional”, pontua.

Além disso, a falta de investimentos em refinarias aumenta o preço para o consumidor final. “A gente importa gasolina e outros produtos que as refinarias do Brasil não têm capacidade de refinar, pois o petróleo extraído no país é mais pesado”, ressalta. Essas características impactam diretamente na mobilidade do DF. “Uma vez que encarece o preço do transporte, muitas pessoas se prejudicam com o orçamento”, explica o especialista.
De acordo com o economista, a principal economia que pode ser feita é deixar o carro na garagem. “O preço vai aumentar ainda mais, já está aumentando. Então, o consumidor deve ficar atento aos gastos desnecessários e fazer uma planilha. Se possível, utilizar bicicleta e andar a pé”, acrescenta.
A Petrobras reajustou em 6% o preço do litro da gasolina e em 3,7% o litro do diesel nas refinarias, na terça-feira (6). Com isso, o valor médio do litro de gasolina nas distribuidoras terá um aumento de R$ 0,16 para R$ 2,69, enquanto do óleo diesel subirá R$ 0,10 para R$ 2,81.
Trata-se do primeiro aumento de combustíveis na gestão do general Joaquim Silva e Luna, que assumiu o cargo há quase três meses, mas é o oitavo reajuste para cima desde janeiro. A última alta nas refinarias aconteceu em 15 de abril, quando o valor médio da gasolina aumentou 1,9% por litro e o do diesel subiu 3,7% por litro.

Reajuste na conta de luz
Na última terça-feira (29/6), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou um reajuste de 52% no valor da bandeira tarifária vermelha 2. Com o aumento, a taxa subiu de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos. A medida começou a valer na última quinta. Segundo a agência, o motivo para a mudança na tarifa está relacionado ao período de estiagem no Brasil, o que impactou diretamente a geração de energia nas hidrelétricas.
A decisão da Aneel visa compensar os custos relacionados à menor geração hidrelétrica nas principais bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional (SIN). No mês, a cada 1kWh consumido, os clientes passarão a ter um custo adicional de R$ 0,0949, o que pode ser consultado na parte de “descrição da conta” da conta de luz. No Brasil, a energia hidráulica representa quase 60% da matriz elétrica — ou seja, mais da metade da capacidade instalada vem da água. Isso quer dizer que, nos períodos de estiagem, outras fontes precisam ser acionadas, principalmente a térmica, elevando o custo.

Em nota, a Neoenergia Distribuição Brasília esclareceu que a bandeira tarifária é uma cobrança extra determinada pelo órgão regulador e será ajustada em função dos baixos níveis dos reservatórios de água do país. “Os valores arrecadados são integralmente repassados para cobrir os custos de geração de energia neste momento de crise hídrica do país. Esse ajuste não representa aumento da tarifa de energia e a distribuidora não tem qualquer gestão sobre essa cobrança adicional das bandeiras tarifárias”, ressaltou.

Com informações Correio Braziliense