Gisele de Oliveira Rocha, a açougueira de mão cheia

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Especial Dia da Mulher

Que as mulheres têm ganhado espaço no mercado de trabalho, todo mundo já sabe. A novidade é que agora elas têm exercido até profissões tida antes como estritamente masculinas. Neste dia Internacional da Mulher, o jornal A Hora descobriu uma mulher exercendo uma profissão mais curiosa ainda: a de açougueira.

Cleyton Amaral

Trata-se de Gisele de Oliveira Rocha, de 40 anos. Quem chega para pedir aquela carne especial para o churrasco de domingo, ou mesmo para fazer no dia a dia, no açougue do Supermercado Ofertão, na Meia Praia, em Itapema, poderá encontrar uma profissional com um sorriso largo e uma imensa vontade de ajudar. Gisele é assim. Gosta de conquistar os clientes. E foi assim que ela foi convidada a trabalhar no supermercado.

“Estava em Itapema a passeio, quando vim no supermercado comprar algumas coisas, no açougue vi que um senhor estava com dificuldades para comprar uma carne. Como gosto de ajudar, dei algumas dicas e ele no final me elogiou para a gerente, dizendo que a açougueira era muito boa. A gerente ficou sem entender, porque o supermercado não havia mulher trabalhando no açougue. Quando estava indo embora, a gerente me abordou e me perguntou se não queria uma oportunidade. Na hora aceitei e já estou aqui no Ofertão há três anos”, explica.

Como começou

Natural de São Paulo, Gisele já atuava em outras funções dentro de uma rede de supermercado. Começou aos 12 anos como empacotadeira. Passou pelo caixa, pelo setor da padaria, hortifrúti e também como frente de caixa. Nesta última, ela recebia muitas reclamações dos clientes do setor de açougue. Curiosa e sempre prestativa, resolver conhecer melhor o setor para poder responder os clientes. “Pedi aos colegas que me apresentassem o dia a dia do açougue, sai da frente do caixa e resolvi virar açougueira. Peguei gosto pela profissão e de lá para cá se vão 11 anos dentro do açougue”, expressa.

A aceitação

 “Os açougueiros sempre foram meus amigos. Então, a convivência com eles é muito boa. Não é uma tarefa difícil, é até muito boa. Conheço todas as carnes, sei picar todas. É preciso saber como picar cada uma. No início, foi difícil… até pegar o jeito, mas, depois, fui me acostumando. O nome a gente acaba guardando, não é difícil. Até no gosto as carnes são diferentes e hoje eu sei diferenciar todas elas. ”

A dica

 “Você tem que ter muita boa vontade, para aprender a ser açougueira, mas quando você começa a ter gosto pela coisa é muito bom. Em 6 meses, eu já sabia quase tudo. Posso dizer que a maioria das pessoas não sabe nada de carne. Algumas donas de casa, por exemplo, sempre me pedem uma carne boa e macia. Aí, eu explico que claro algumas são mais saborosas, outras mais firmes, mas que todas as carnes são macias. Tudo depende do jeito de fazer e que o segredo é saber preparar para elas ficarem boas. ”

Recado às mulheres

“Quero deixar aqui a minha solidariedade a todas as mulheres. Na vida não vem fácil, se for dos planos de Deus e você perseverar, tudo pode acontecer. Estou muito feliz aqui no Ofertão e agradeço pela oportunidade. Feliz Dia das Mulheres às minhas colegas de empresas e todas as leitoras do jornal”, finaliza.

Gisele com a patroa Fernanda