Grito Sufocado

3086
Compartilhar

Itapema já registrou 24 supostos casos de abuso infantil em 2018, 70% a mais do que ano passado, onde foram registrados NOVE casos. A grande maioria dos abusos são cometidos por um membro da família e as meninas são o principal alvo deste crime hediondo.

Cleyton Amaral

Você também ficou estarrecido com o suposto caso de estupro de uma criança que veio à tona em Itapema recentemente? Saiba que este tipo de abuso é mais comum do se imagina! Para conversar e tirar dúvidas sobre o tema, o jornal A Hora entrevistou a coordenadora do Conselho Tutelar de Itapema, Beloni De Fatima Silva.

Um dado alarmante: Itapema já registra 70% a mais de suposto casos de abuso infantil. De acordo com dados do Conselho Tutelar de Itapema, em 2017, foram registrados nove casos. Neste ano de 2018 já foram 24 ocorrências envolvendo menores e adolescente. Conforme explicou a coordenadora da instituição, Beloni de Fátima da Silva, a grande maioria desses abusos são praticados por um membro da família ou muito próximo dela e as meninas são as que mais sofrem este tipo de violência que pode deixar cicatrizes por resto da vida.

O que é violência sexual?

Violência sexual é a violação dos direitos sexuais, no sentido de abusar ou explorar o corpo e a sexualidade de crianças e adolescentes. A maioria das pessoas associam violência sexual ao ato de penetração forçado, quando, na verdade, a violência sexual infantil é muito mais ampla, gerando traumas devastadores em qualquer manifestação que ela ocorra. O abuso sexual é caracterizado pela utilização da sexualidade de uma criança ou adolescente para prática de qualquer ato de natureza sexual. Portanto, estão previstos em lei e são considerados como abuso toque, beijos, carícia e aliciamento, além da penetração forçada.

Números que sangram

Casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes são mais comuns do que se imagina e, infelizmente, não é uma realidade isolada – dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo, mostram que 70% das vítimas de estupro do país são menores de idade. Segundo dados do Disque 100 (Disque Direitos Humanos) e do Sistema Único de Saúde, mais de 120 mil casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes foram registrados no país entre 2012 e 2015 – o equivalente a pelo menos três ataques por hora.

Como identificar

O primeiro sinal a ser observado é uma possível mudança no padrão de comportamento das crianças. Por exemplo, se a criança nunca agiu de determinada forma e, de repente, passa a agir. Se começa a apresentar medos que não tinha antes – do escuro, de ficar sozinha ou perto de determinadas pessoas. Ou então mudanças extremas no humor: a criança era superextrovertida e passa a ser muito introvertida. Era supercalma e passa a ser agressiva.

O agressor está mais próximo do que imaginamos

No Brasil, 95% dos casos desse tipo de violência são praticados por pessoas conhecidas das crianças. Em 65% dos casos há a participação de pessoas do próprio grupo familiar. O agressor normalmente possui um perfil sedutor e costuma se beneficiar do vínculo de confiança e relação afetiva que já possui com a criança, envolvendo-a de uma maneira com que faça acreditar de que se trata de uma brincadeira, um jogo ou uma manifestação de carinho especial por ela ser privilegiada.

Prejuízos emocionais devastadores

Vivenciar um trauma como este pode impactar de maneira devastadora sua integridade. O abuso sexual infantil pode desencadear o desenvolvimento de transtornos de personalidade, quadros graves de depressão ou ansiedade, transtorno de estresse, dificuldades em se vincular afetivamente, problemas que podem assombrar a criança até na vida adulta.

Acione os órgãos responsáveis

Bem como falou a coordenadora do Conselho Tutelar de Itapema, Beloni de Fátima da Silva, a sociedade também precisa ser mais informada e conscientizada que esta é uma luta de todos. O conselho tem papel fundamental, pois é o órgão que acompanha de perto se os direitos da criança e dos adolescentes estão sendo desrespeitados. A escola também tem papel decisivo, por isso, o alerta também aos professores, que fiquem atendo às mudanças repentinas dos alunos. Violência sexual é crime e deve ser sempre reportada às autoridades. Não é necessário você ter certeza, ou ter testemunhado um fato! Se você suspeita de que algo possa estar errado, pode denunciar anonimamente através do Disque 100 (Disque Direitos Humanos), através do 180 ou recorrendo ao Conselho Tutelar mais próximo. O telefone aqui de Itapema é (47) 3268-1982 ou pelo número de plantão (47) 9 9937-2278.

*Com informações Mundo dos Psicólogos. #denuncie #violênciaSexual #menores