Lucas e Arthurzinho: um milagre de Deus

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Especial Dia dos Pais

Lucas Antonio, pai do pequeno itapemense Arthurzinho, hoje chora de emoção, ao ver seu filho crescendo feliz, depois que a família venceu a leucemia com a doação da medula do pai. É uma história muita linda que você acompanha em uma reportagem especial nas páginas do A Hora deste final de semana. Aproveite, leia com seu pai ou para seu filho!

Cleyton Amaral

Deus sempre tem um plano em nossas vidas. E para Lucas Antonio e Thanaiara Soares não foi diferente. Se conheceram na igreja, apaixonaram-se, noivaram e casaram. Esse lindo amor frutificou um príncipe chamado Arthur, nome de um verdadeiro guerreiro.

Arthurzinho nasceu com doença rara, logo nos primeiros meses de vida, o diagnóstico de uma leucemia, que, infelizmente, já estava bastante avançada iria mudar a vida de toda a família. Mas como para Deus nada é impossível, depois de muita aflição, desespero e angustias, a história de luta do pequeno itapemense, hoje com três aninhos, serve de inspiração para nunca se perder a fé.

A batalha de Arthur

Quando descoberta a doença, o Arthur tinha apenas dois meses de vida. A leucemia rara já estava comprometendo mais de 90% do corpo e para agravar a situação, o câncer estava ligado ao DNA da criança, além das quimioterapias ele precisaria de um transplante de medula óssea. A chance do Arthurzinho sobreviver era menos de 10%. O início do tratamento foi em Florianópolis, onde o pequeno se submetera às quimioterapias, que para um adulto já é agressivo, imagina para um bebezinho com poucos meses de vida. Numa destas sessões, Arthurzinho teve uma parada súbita. “Ele ficou todo branco, gelado e os batimentos cardíacos caindo, ele já estava no oxigênio e quando viram o batimento caindo pegaram o desfibrilador para tentar reanima-lo, nesse momento senti como se tudo passasse em câmera lenta, eu ali na beirada da maca, meu filho praticamente morto, e eu em estado de choque, não consegui falar uma palavra naquele momento, alguns segundos depois o batimento do Arthur dá um disparo e volta ao normal, sem eles fazerem nada. E nessa hora vem na minha cabeça AINDA QUE MORTO VIVERÁ”, conta a mãe que junto com o pai nunca perderam a fé.

Meses depois, após o processo das quimioterapias para preparar um possível transplante, começou a buscar por um doador. Para a alegria dos pais, foi encontrado nos Estados Unidos, um doador 100% compatível. A família se mudara para Curitiba, onde o pequeno iria realizar o transplante, por longos meses, a capital do Paraná se tornou o lar da família. Com a chegada da medula do doados, iniciou o trabalho para o transplante. O pai de Arthur conta que este foi um momento de muita alegria, mas de também aflição… Arthurzinho estava prestas a entrar em mais uma batalha.

O primeiro transplante


Com o coração em Deus, os pais do pequeno itapemense rezaram para que o transplante ocorresse tudo bem. Apesar de alguns imprevistos na mesa de cirurgia, quando Arthur teve uma perfuração no pulmão depois da introdução de cateter, Deus se fez presente ali. Com a drenagem tiraram cerca de 250ml de sangue do pulmão da criança, então, milagrosamente, a ferida estancou sozinha.

Menos de três meses após o transplante, quando estavam com as malas prontas para voltar para Itapema, já que os exames iniciais mostravam que a transplante teria sido um sucesso, os médicos pediram uma última bataria de exames antes da alta. Com a demora dos resultados, Lucas e Thanaira já temiam pelo pior e que realmente aconteceu: a doença havia retornado.

Para os pais, a confirmação foi dolorida demais, especialmente depois de tudo o que eles e o pequeno Arthurzinho já haviam enfrentando. Novamente, o pequeno teria mais uma batalha e todo o processo, agora com um agravante, já havia sido transplantado. Segundo o pai, os médicos falaram que as chances que já eram baixas, agora, eram quase nulas. Entretanto, com muita fé, a família não desistiu e juntos partiram para mais esta batalha. Os médicos chamam os pais para uma conversa, precisava deixar ciente de toda a situação, que a doença do Arthur era muito grave, só que com um transplante com um doador 50% no caso do Arthur era bem provável que a doença volte, já que com um doador 100% já tinha voltado e que se isso acontecer infelizmente não haveria mais o que fazer. “A doutora falou que tínhamos que nos preparar para o pior e disse que queria que nós soubéssemos que eles fizeram o que podiam por Arthur. Usaram os melhores medicamentos e tudo que tinha disponível para tentar cura-lo. Ela disse agora é com ele e apontou para o céu…”, contam os pais.

O milagre


O segundo transplante era necessário e urgente, somente ele poderia salvar a vida do itapemense. Neste momento, era necessário um doador 50% compatível e os pais não tinham tempo hábil para iniciar outra campanha de doação. “Arthur precisa transplantar urgente antes que a doença tome conta do corpo todo”, conta a mãe. Os únicos doadores naquele momento eram os pais. Lucas conta que sentiu que era ele o escolhido, já que sua esposa precisava cuidar do filho. E assim, pai e filho foram para a batalha mais importantes de suas vidas. Neste segundo transplante, Arthurzinho adquiriu outra enfermidade, uma doença chamada Doença do Enxerto, que é comum em casos de transplante. A doença existe em quatro graus diferente. A 1 e 2 são mais tranquilos e o 3 e 4 são perigosos podem causar falência dos órgãos. Arthur teve no grau 3 e para gloria de Deus os órgãos não foram afetados. Nessa época ele ficou muito mal, estava sem comer, estava com febre que não passava, estava muito fraco, nesse dia os pais realmente acharam que ele não iria resistir, mas Arthur desde o início se mostrou valente, um verdadeiro guerreiro. Após o processo, a médica chama os pais para conversar.

Nestes casos de transplantes, a recomendação é que se aguardem 100 dias para a confirmação se a medula realmente pegou. Durante este período, os médicos continuavam fazendo os exames de rotina, estavam estudando a possibilidade de manter o pequeno em quimioterapia direto, pois a qualquer momento a doença poderia voltar, pois estava na genética dele. E, de repente, os pais foram surpreendidos por Deus, no exame genético constou que o gene MLL foi negativado. A médica não acreditava no resultou, pois era quase impossível de isso acontecer. Arthur repetiu esse exame várias vezes em laboratórios diferentes, e todos eles constaram que a genética havia sido altera. “Nós perguntamos para medica se era normal isso acontecer ou é um milagre? Ela me disse que com certeza era um milagre. Deus é o médico dos médicos. Nosso filho está curado. Poder contribuir para salvar a vida do nosso filho foi, sem dúvidas, o melhor presente que eu poderia ganhar de Dia dos Pais”, conta Lucas Antônio.

Vida segue feliz

Hoje a família do pequeno Arthur está irradiando felicidade. Com três aninhos, o pequeno itapemense cresce feliz e saudável. Ele ainda faz acompanhamento, mas os exames mostram que ele está curado, um verdadeiro milagre.