“Meu erro foi ter me apaixonado por um morador de rua”

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A frase é de Franciele de Jesus de Lima, de 31 anos, que está há cerca de uma semana na rua, segundo ela, abandonada pelo seu companheiro. Moradores do bairro Meia Praia se sensibilizaram com a situação da mulher, que é natural de Tubarão e mãe de três filhos.

Cleyton Amaral

A cena é comum e muitas vezes é triste e constrangedora. Pessoas que passam as noites dormindo nas ruas, sob marquises, em praças, embaixo de viadutos e pontes. Além desses espaços, também são utilizados locais degradados, como prédios e casas abandonadas e carcaças de veículos, que têm pouca ou nenhuma higiene. Foi num destes cenários, que nossa reportagem encontrou Franciele de Jesus de Lima, de 31 anos, na tarde de ontem, na rua 246, no bairro Meia Praia, em Itapema.

Nesses dias de frio intenso e de chuva, leitores do A Hora, sensibilizados com a situação de Franciele acionaram nossa reportagem. Conversamos com ela. Natural de Tubarão, no Sul do Estado, ela é a mãe de três filhos, encontram-se em situação de rua, depois que supostamente foi abandonada pelo companheiro que amava. Com problemas de saúde, usando pinos e platina, Franciele tem problemas de locomoção, além do alcoolismo. Sua principal queixa é o abandono do suposto companheiro. “Quando tinha dinheiro do meu DPVAT ele estava aqui. Depois que acabou, me largou”, relata a mulher em tom de desanimo.

Amor bandido

“Meu maior arrependimento foi ter me apaixonado por um morador de rua”, confidencia Franciele à reportagem. De acordo com ela, este amor a levou às ruas e a situação em que se encontra hoje. Ela conta que vivia em Tubarão, no Sul do Estado e que não era moradorara de rua. Contou-nos que é mãe de três lindos filhos e tem saudades, mas que acabou escolhendo viver nas ruas com seu amor. E foi nas ruas em que ela também conheceu as drogas e o álcool. Sua principal queixa é o abandono do companheiro, que, segundo ela, só queria seu dinheiro. “Me acidentei, uso platina e pinos. Fui atropelada. Recebi o seguro DPVAT. Quando o dinheiro entrou era tudo mil maravilhas, ele cuidava de mim. Mas quando acabou, ele foi embora, me deixando para trás”, conta Franciele.

Ederson é o primeiro nome do amor de Franciele. O casal estava junto, na rua, desde quarta-feira passada, no mesmo local, na rua 246. Com o frio e a chuva, moradores decidiram ajudar na alimentação. Foi chamado o Samu, Bombeiros e até a equipe da secretaria de Assistência Social. Com a movimentação, Ederson (que, segundo moradores teria problemas com a Justiça) acabou deixando Franciele ali, largada, sozinha, na calçada, com algum receio de ser preso.

Ajuda da população

Moradores das proximidades da rua 246, na Meia Praia, em Itapema, estão a ajudando com alimentação. Porém, eles relatam o descaso por parte das autoridades. “Nossa cidade não tem albergue para as pessoas em situação de rua. Isso é uma vergonha, chega a ser desumano”, relatam. Ainda conforme alguns moradores, o casal teria vindo para cá pela oportunidade de emprego, ela adoeceu e perderam o pouco que tinham.

Esperando o seu amor

Nossa equipe conversou com a secretaria de Assistência Social da cidade para saber o que pode ser feito. De acordo com a resposta, o setor de Migração esteve no local pela manhã com o Samu, na tentativa de levar ela até o hospital, porém a mulher não quis. Também foi feito o convite para ir até a Secretária, tomar um banho, e ela também não quis. Perguntada se queria retornar à sua cidade de origem, ela recusou e disse que só aceitaria ajuda se o companheiro fosse junto. Segundo Franciele, ela não está roubando ou incomodando e que iria ficar ali, esperando o companheiro.

*As fotos foram feitas com autorização de Franciele