O fluxo das ondas segue o passo das pessoas em Itapema

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Gabrielle Pillon, estudante de jornalismo especial para A Hora

Antes mesmo de chegar em Itapema para as férias de verão, eu já sabia que a cidade cuidaria de me surpreender. Não é a minha primeira vez aqui, por isso sei que há algo nela para descobrir, desbravar. Sem dúvidas, a praia é a minha principal motivação ao chegar na cidade, pois ela não somente a contorna como em um abraço, mas reúne turistas e moradores em sua orla. Nessa reunião, eles absorvem o mesmo ar carregado de maresia, entretanto, o barulho intenso dos veículos trafegando na Av. Beira Mar também é absorvido.

 

Minha família e eu acordamos cedo todos os dias de nossa estadia justamente para aproveitar a praia sem a irradiação perigosa do sol, a qual se dá a partir das 10 horas. Quando sento em um banco qualquer da calçada, consigo ter uma visão nítida das construções que circulam a costa. Cada uma me prende o olhar. Além de serem distintas das da minha cidade, Santa Maria, são grandiosas demais em seus estilos e arquitetura para que em um único lance os olhos possam percorrê-las.

Com isso, percebo, entre uma rua e outra, um novo empreendimento se erguendo e me vem à mente de imediato a palavra ‘movimento’. Ela é quem exprime a sensação que todo turista tem em relação à Itapema. Porque, quando não estamos aqui, ouvimos seu nome no noticiário como um dos destinos prediletos de milhares de brasileiros (o último réveillon trouxe mais de 400 mil). E quando estamos de férias aqui, podemos confirmar isso tanto pelas placas de carro que ainda constam o nome de localidades, quanto pelo sotaque que ouço nas ruas.

Mas, afinal, por que isso é movimento? Ora, porque as belezas desse lugar repercutem nas fotos que tirei, as quais mostrarei para meus vizinhos, isto é, o que está em Itapema não fica somente em Itapema, precisa ser compartilhado. Além disso, reflito enquanto subo o Mirante do Encanto frente a uma vista de 360° da cidade: fora a saudade, o que eu levo daqui para Santa Maria?

Certamente, o desejo de tranquilidade. Não me refiro apenas à tranquilidade litorânea, mas sim a do ato de andar na rua segura, sem medo. Seja essa segurança da minha imaginação ou não, é significativa comparada à outras localidades. Se cada visitante, quando vai embora, leva consigo um aspecto de Itapema, consequentemente a mesma anda para além de suas fronteiras físicas.

Não menos importante, existe o movimento de quem vem e fica. Há anos, escuto de conhecidos a vontade deles de virem para cá para trabalhar, predominante no setor de limpeza e de cozinha. Ao caminhar pelo centro, vejo o quão essa área emprega pessoal. Essas oportunidades são cobiçadas por trabalhadores em busca da chance de suas vidas. Nos rostos está estampada a vontade de mudar de condição econômica, sobrepujada pela esperança de que Itapema é onde pode-se viver bem de modo no qual não se pode, com o mesmo emprego, em qualquer outro lugar.

Logo quando eu estiver novamente na BR 101 para voltar para casa, saberei que esta é a descoberta que fiz neste ano: existe uma cidade reduto de esperança – verde como esmeralda – a qual movimenta-se pelo país através de quem por ela já passou, como o fluir das ondas de sua praia, as quais se direcionam continuamente para dar vida ao que cresce em sua enseada