O risco da moda: narguilé vicia e faz mal como cigarro

127
Compartilhar

Saúde

Médicos alertam que o uso constante do narguilé, uma espécie de cachimbo de água comumente usados em países do Oriente Médio, causa riscos à saúde. Segundo o geriatra Rychard Arruda, a prática é uma espécie de tabagismo perigosa. “Tudo aquilo que falamos dos riscos do cigarro comum, que causa doenças cardiovasculares, doenças precoces e cânceres, tudo isso também acontece com o uso do narguilé”, ressaltou.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os tabacos usados no narguilé, que têm diversas essências, apresentam quatro vezes mais nicotina, 11 vezes mais monóxido de carbono e 100 vezes mais alcatrão do que o cigarro comum. Além disso, segundo a organização, consumir uma rodada no cachimbo é equivalente a fumar 100 cigarros.

Rychard alerta que o carvão usado para acender o narguilé também é inalado e é prejudicial à saúde. “A brasa é colocada em cima do tabaco, ele vai esquentar e a água que vai embaixo serve para resfriar, gerando a fumaça. Em momento algum ela purifica ou retira toxinas”, explica. O médico ainda pondera o risco de transmissão de doenças contagiosas. “Isso porque as piteiras por onde se fuma são compartilhadas por várias pessoas ao mesmo tempo. Então a gente percebe um alto risco de herpes labial e até doenças mais graves, como a tuberculose e hepatite C”.

Diferenças entre o narguilé e o cigarro

“Como qualquer produto do tabaco que é fumado, o narguilé vai produzir na sua combustão todas as 4.700 substâncias tóxicas já conhecidas do cigarro e que sabemos que causam doenças crônicas e cânceres”, alerta a doutora Liz Almeida, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). “Muitos utilizam a desculpa de que em produtos assim, como também é o caso do charuto e do cachimbo, a fumaça não é tragada, pois a ideia é apenas sentir o sabor do produto. Na prática não é o que acontece com o narguilé e, mesmo que fosse, devemos lembrar que apenas a fumaça na boca é suficiente para gerar um câncer na cavidade oral”.

O tabaco utilizado no narguilé, mesmo com toda a essência de sabor, é ingerido em maior quantidade pelo organismo. “Um dos maiores problemas do narguilé é a longa exposição ao tabaco. Dependendo do tamanho do aparelho e da durabilidade da sessão, o ato pode equivaler a fumar mais de 100 cigarros. E as pessoas devem lembrar que o produto tem nicotina, uma substância que causa dependência muito rapidamente. Logo o corpo vai pedir por mais, e passar do narguilé para outros produtos do tabaco, como o cigarro, é um pulo.

 

O que o uso do narguilé causa?

Estudos associam o uso de narguilé ao desenvolvimento de câncer de pulmão, doenças respiratórias, doença periodontal (da gengiva) e com o baixo peso ao nascer, além de expor seus usuários a concentrações de nicotina que causam dependência. Em longo prazo, seu consumo pode causar câncer de pulmão, boca e bexiga, aterosclerose e doença coronariana.

Os riscos do uso do narguilé não estão somente relacionados ao tabaco mas também a doenças infectocontagiosas. Compartilhar o bocal entre os usuários pode resultar na transmissão de doenças como herpes, hepatite C e tuberculose.

 

Modismo

A moda se espalhou rapidamente pelo Brasil e os aditivos de sabor mascararam o perigo por trás do hábito. “O narguilé era um processo muito cultural dos turcos, libaneses. Algo que só era utilizado nos fins de semana. Os imigrantes dessa cultura trouxeram o narguilé para o Brasil e a moda pegou por aqui após uma novela que fez muito sucesso. Ao mesmo tempo, houve uma onda de reincorporação do uso dos narguilés por jovens nos bares. Isso gerou um boom na produção dos produtos e essa maior oferta disseminou mais facilmente o uso. Alguns pais e os próprios jovens sentem aquele cheiro adocicado e acham que não faz mal, imaginando que não há tabaco ali dentro”, explica a doutora Liz.