Palestra destaca importância da valorização da mulher negra

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O penúltimo evento das comemorações do Mês da Mulher destacou a necessidade de valorizar o papel da mulher negra na sociedade e de estimular a representatividade delas no contexto político. Organizada pela Bancada Feminina do Parlamento catarinense e pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, a série de atividades iniciou no último dia 8 e termina na noite da última quinta-feira (28).

Primeira tenente-coronel negra da Polícia Militar de Santa Catarina e autora do livro “Traços de Antonieta”, Edenice Fraga destacou que a sociedade  precisa ver a mulher como agente atuante e não meramente como uma espécie de peça decorativa. “Nós temos que ocupar todos os espaços. Não podemos mais estar agindo como se estivéssemos no século XIX, onde a mulher dependia de tudo do homem.”

A tenente-coronel defendeu que as mulheres devem estar nos mesmos locais de trabalho que os homens. “Recebendo o mesmo salário, o mesmo respeito, a mesma consideração.” A questão da violência também foi destacada por ela. “Nós não podemos mais ver nossas irmãs mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, essa coisificação da mulher não pode mais acontecer. A mulher tem que ser protagonista da sua história”, afirmou.

Edenice ainda falou da desigualdade de gênero, ressaltando que elas ainda são menos que 10% dos representantes na política do Brasil. Para a escritora, a autonomia feminina nas atividades sociais e na economia ainda é inadequada. “O empoderamento está acontecendo, mas lento. Por que nós ainda vemos nas estatísticas as mulheres em um índice muito baixo, aquém daquilo que a gente sonha um dia chegar.”

A coordenadora de promoção da igualdade racial de Criciúma, Daianara dos Passos, comentou que a palestra incluída na programação criada pela Assembleia Legislativa é de grande importância por ser um momento de conscientização para discutir a visibilidade da mulher negra. “Eu acredito que a discussão é o primeiro passo”, explicou, citando que o tema não pode ficar restrito e deve ser ampliado para toda a sociedade. “E aí entra a questão do empoderamento. A gente precisa mostrar para essas mulheres negras que, sim, é possível elas estarem aqui num espaço como esse.”

Para a educadora e escritora Gisele Marques, a luta pelo protagonismo deve ser pensada como um projeto político. Segundo ela, as mulheres negras ganham menos e sofrem mais violência física e moral em relação a outros grupos sociais e são estereotipadas. “O próprio nome mulata é pejorativo, porque ele vem de mula, de algo de duas espécies que não se combinam. Então, a mulher negra é estereotipada no Carnaval, naqueles cinco ou seis dias ela é a rainha e depois ela volta para limpar o chão das outras estruturas.”