Parlamentares destacam a importância e os desafios dos professores

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Deputados

A comemoração do Dia do Professor, na quinta-feira (15), foi o assunto de destaque na sessão da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Vários parlamentares que participaram da reunião virtual fizeram questão de destacar a relevância dos educadores para a sociedade e os desafios que a categoria continua enfrentando.

O deputado Carlos Humberto (PL), cujo pai foi professor do Instituto Estadual de Educação, na Capital, e na EEB Professor José Arantes, em Balneário Camboriú, destacou que a categoria, além de educar, ainda presta grande auxílio para os pais dos estudantes. “Eles amam o que há de mais importante para a nossa sociedade, o futuro”, comentou. Presidindo os trabalhos da manhã, o deputado Mauro de Nadal (MDB), também parabenizou os educadores, lembrando que sua mãe exerceu a profissão. “Lembro com saudade dos tempos em que ela ensinava”, contou.

Líder do MDB no Parlamento, o deputado Valdir Cobalchini (MDB), sugeriu que os demais integrantes da bancada também comentassem o tema. “Não podemos deixar passar em branco essa data”, justificou, homenageando a presidente da Comissão de Educação da Alesc, deputada Luciane Carminatti (PT), em nome de todas as professoras e professores das redes públicas municipal e estadual e privada, desde o ensino infantil até o universitário.

A deputada Ada de Luca (MDB) citou que também já foi professora em Criciúma. “Faço um paralelo com o passado, sobre como havia respeito com os professores, e como hoje se vê alunos agredindo os professores. Pergunto o que seria da humanidade sem eles. Todos deveriam ser muito melhor remunerados”, argumentou. Segundo a parlamentar, há muitos educadores que enfrentam vários problemas e todos tiveram que se reinventar na pandemia. “E isso não é fácil, ensinar pela telinha. A luta deles é muito árdua”, atestou.

Líder da bancada do PT, o deputado Neodi Saretta (PT) já havia citado a importância do dia 15 de outubro na sessão da tarde do dia anterior. “Mas aproveito para reafirmar essa data. Os professores são verdadeiros heróis, que se mantiveram firmes para ensinar mesmo online para evitar a perda do ano letivo”, comentou. O representante da região Oeste lamentou que a Lei Orçamentária Anual apresentada pelo governo do Estado para 2021 tenha sido elaborada com uma redução nos investimentos na educação. “Tanto para a valorização pessoal dos professores, quanto para o ensino fundamental e para a educação de jovens e adultos há uma diminuição de R$ 161 milhões. Espero que isso possa ser modificado”, disse Saretta.

Obras na educação

O deputado Marcius Machado (PL) pediu aos colegas apoio na aprovação de um pedido de informações que protocolou no governo estadual sobre suas emendas impositivas que destinou para a Secretaria de Estado da Educação. De acordo com ele, todas as emendas que direcionou para obras no setor, em municípios da Serra catarinense, não foram repassadas. “Se não tem estrutura, então tem que mudar o modus operandi. Coloquei recursos de R$ 10 mil para a prática de artes marciais em Capão Alto e o dinheiro não está na conta para que o gestor compre os materiais. Coloquei outra emenda para a cidade de Correia Pinto para cobrir em uma escola uma área por onde as crianças se deslocam entre o refeitório e as salas de aula protegidas da chuva. Apresentamos um projeto simples para que a obra seja feita, mas não pode começar pois é necessária uma licitação para fazer o projeto. Precisamos que o governo coloque os engenheiros para cumprir seu papel”, lamentou.

O deputado Cobalchini comentou o assunto afirmando que “não é possível a falta de capacidade para que essas obras sejam feitas”. Segundo ele, a Educação tem “recursos sobrando e às vezes não se faz o que é essencial”. Para o emedebista, o que falta é a capacidade humana, gerencial, gestão, técnica para atender a educação. “Algumas escolas estão em situação de interdição. Por que não se aproveitou a pandemia para se fazer isso?”, indagou.

Ataque à família

O deputado Sargento Lima (PSL) repercutiu tema destacado na sessão de quarta-feira pelo deputado Bruno Souza (Novo), que criticou a instituição pela prefeitura de Florianópolis do Plano de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. “Conforme esperado, houve vozes que se levantaram contra [o posicionamento de Souza e outros deputados]. Mas em momento nenhum, ao menos de minha parte, foi criticada a sexualidade das pessoas. O que se discutiu foi assunto de segurança pública”, justificou.

O parlamentar apresentou no telão imagens de notícias sobre crianças que sofreram abusos sexuais. “Contra fatos não há argumentos. Você não coloca adultos e crianças juntos sem fiscalizar”, avaliou fazendo alusão à discussão do dia anterior, quando foi criticada a possibilidade do acesso aos banheiros conforme a identidade de gênero por pessoas de ambos os sexos. “O preço da nossa segurança e liberdade é a eterna vigilância. No assunto escola, tem que se pensar em todos os pontos. Há adultos que vão conviver nos locais com crianças. Você não mistura adulto com crianças ou adolescentes sem a supervisão. Você não sabe quem está junto do teu filho. Não é perda de tempo falar sobre esse assunto. Acredito que os vereadores que votaram o projeto, não leram. Quem é pai, ser humano, não aprova isso. E não estou falando de homosexuais, tenho amigos, pessoas inclusive no ambiente familiar, que são”, citou.

Para o deputado Carlos Humberto, esse assunto é importantíssimo. “Infelizmente a gente vê esses ataques à família. Aqui em Santa Catarina a família é muito defendida. A defesa dos princípios cristãos, que embasam nossa sociedade, está amplamente amparada aqui no Parlamento. Essa é uma matéria que aqui e na grande maioria dos municípios, não tem condições de ser implementada”, afirmou.

Pandemia

O deputado Ivan Naatz (PL) criticou a edição de novo decreto de emergência pelo governo do Estado, com normas relativas à pandemia. “As imagens do fim de semana mostraram que as pessoas estão na praia, vivendo normalmente, o processo de pandemia não existe mais. O PL vai conversar para estudar um projeto de sustação desse decreto. É hora de falar em voltar a produzir emprego e renda em Santa Catarina”, reforçou.

Marcius Machado revelou não estar tão confiante quanto o colega de bancada. “Estou muito assustado. Aqui em Lages mudou a configuração, voltamos a ter o patamar “laranja” [situação grave] e estávamos na “amarela” [risco alto]. Ontem escutei o deputado Jessé Lopes fazer um discurso muito empolgante, que as pessoas tenham que voltar [às atividades normais]. Com todo o respeito, mas acho assustador isso. Está perigoso, as contaminações e mortes continuam aumentando”, explicou.

Rodovias estaduais

Valdir Cobalchini criticou a situação das rodovias estaduais. “Quem está aqui no litoral e não viaja para o interior, não faz ideia de alguns trechos rodoviários. Embora se propague, se faça um marekting muito forte nos grupos de whatsapp, onde se apresentam melhorias nas rodovias e obras novas, infelizmente a regra não é essa”, contou.

O deputado apresentou no telão do Plenário imagens da rodovia SC-350, entre o município de Caçador e a BR-153. “Tivemos lá onze acidentes no mesmo dia por causa dos buracos. Não é questão do governo de plantão, é questão de Estado. Trago essa preocupação não porque estamos votando mias um processo de impechment, não porque estávamos na base de apoio do governo e não estamos mais. Quero chamar atenção das autoridades responsáveis para que enxerguem todo o estado, cada um dos trechos. Não só onde a imprensa tem mais apelo. Estamos falando de algo óbvio. Que se decrete calamidade pública para fazer amanhã [as obras], não dá para esperar para tomar providência. Não podemos nos omitir, temos que levantar esses assuntos que são do interesso do Estado”, disse.