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    Pelo Estado 29/03: Entrevista: Lecir dos Passos Ghisi, presidente do CRCSC

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    “A força contábil superando desafios”

    O contador e empresário contábil Lecir dos Passos Ghisi foi eleito para assumir a presidência do CRCSC no biênio 2026–2027. Pela primeira vez, o Conselho será presidido por alguém que vem de uma cidade que não é a capital. Entre as prioridades da gestão, a Reforma Tributária será tema central, com atenção especial aos impactos para empresas, entidades, contribuintes e profissionais da contabilidade.

    A Coluna conversou com Leci para falar sobre estes novos desafios. Confira:

    Pelo Estado – O senhor já destacou que durante sua gestão, a Reforma Tributária será tema central, com atenção especial aos impactos para empresas, entidades, contribuintes e profissionais da contabilidade. Como o tema será devidamente trabalhado na prática?

    Lecir – Estamos tratando desse assunto de forma prática e estruturada no CRCSC, a começar pelo slogan da gestão “A força contábil superando desafios”. Entre as principais ações, estamos promovendo, desde 2025, eventos, palestras e capacitações para preparar os profissionais a compreender e aplicar as mudanças no dia a dia, garantindo segurança na orientação às empresas e aos contribuintes.

    Também contamos com uma comissão técnica dedicada exclusivamente ao tema, que acompanha as mudanças da Reforma Tributária, promove debates e encontros, e desenvolve conteúdos e estudos para qualificar ainda mais os profissionais da contabilidade.

    Outra iniciativa importante é a página exclusiva sobre o tema da Reforma Tributária no site do CRCSC, onde reunimos materiais, atualizações e informações confiáveis, facilitando o acesso dos profissionais a conteúdos relevantes.

    Temos ainda a parceria firmada entre o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Receita Federal do Brasil (RFB) e a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) voltada à capacitação de contadores de todo o país.

    A cooperação prevê a oferta de atividades de capacitação sobre temas relacionados à Reforma Tributária, com o objetivo de garantir formação técnica padronizada diante das novas exigências da legislação tributária.

    Em todas estas ações, nosso objetivo é garantir que o contador esteja preparado para o novo cenário, fortalecendo seu papel estratégico e contribuindo para a sociedade.

    Pelo Estado – Outro destaque seria a capacitação de conselheiros, para que estes atuem como multiplicadores dentro da classe contábil. Poderia explicar melhor como seria realizada esta capacitação?

    Lecir – A capacitação dos conselheiros é uma prioridade da gestão, porque entendemos que eles têm um papel fundamental como elo entre o CRCSC e os profissionais em todas as regiões do estado. Além disso, são eles que compõem as câmaras do CRCSC e fazem o trabalho acontecer.

    E essa capacitação já vem ocorrendo, tanto por meio das ações promovidas pelo próprio CRCSC quanto pelo Sistema CFC/CRCs, por meio de treinamentos, encontros e atualizações sobre temas técnicos e institucionais.

    Mas nosso objetivo principal é levar conhecimento, e informações qualificadas para os profissionais de todas as regiões e contribuindo para aproximar ainda mais o Conselho da classe contábil. Para tanto, vamos fortalecer a comunicação, ouvir as demandas locais para construir soluções alinhadas com a realidade de cada região.

    Pelo Estado – Além destas já citadas, quais seriam as outras prioridades deste biênio à frente da entidade?

    Lecir – Nossas prioridades também contemplarão o fortalecimento da contabilidade pública, da governança, da sustentabilidade e da atuação do terceiro setor.

    Para avançar nesses eixos, o CRCSC irá promover encontros regionais para levar temas técnicos e relacionados ao Conselho, ampliando o acesso à informação e o debate em todas as regiões do estado.

    Outro ponto fundamental será a continuidade nas parcerias já estabelecidas com o governo, especialmente a Secretaria da Fazenda do Estado e municipal, órgãos públicos e demais entidades contábeis, fortalecendo ações conjuntas, sempre com foco na capacitação do profissional da contabilidade, na desburocratização do ambiente de negócios, na valorização da profissão e na defesa da contabilidade como instrumento de desenvolvimento econômico e social.

    Pelo Estado – Qual é o papel do profissional da contabilidade para a economia e seus principais desafios?

    Lecir – O profissional da contabilidade tem um papel essencial para a economia, porque é ele quem garante a organização, a transparência e a segurança das informações que sustentam a tomada de decisões nas empresas, no setor público e terceiro setor. Todo negócio precisa de um contador, pois ele é um agente estratégico, que contribui diretamente para a saúde financeira dos negócios, para o cumprimento das obrigações fiscais e para o desenvolvimento econômico do país.

    Entre os principais desafios, eu destaco a constante necessidade de atualização, especialmente diante de mudanças como a Reforma Tributária e a evolução das tecnologias. Não é possível sobreviver ao mercado sem que esteja preparado e com visão analítica e estratégica.

    Pelo Estado – Quais mudanças a Reforma Tributária traz à classe contábil?

    Lecir – Eu diria que são mudanças profundas para a classe contábil, especialmente na forma de apuração, o recolhimento e o controle dos tributos.

    Com a simplificação de impostos e a criação de novos modelos, o profissional da contabilidade passa a ter um papel ainda mais estratégico, auxiliando empresas e contribuintes na adaptação a esse novo sistema.

    Ao mesmo tempo, a reforma exige uma curva de aprendizado importante. Será necessário compreender novas regras, acompanhar regulamentações e se adaptar a sistemas e processos diferentes dos atuais.

    Por outro lado, também abre oportunidades. O contador passa a atuar, cada vez mais, de forma mais consultiva, orientando o melhor caminho para empresas e cidadãos.

    Ou seja, a Reforma Tributária traz mudanças que exigem adaptação e atualização constante, mas ao mesmo tempo reforça o papel estratégico do contador, que passa a ser ainda mais essencial do que nunca para garantir segurança nesse novo cenário.

    Pelo Estado – Sobre a declaração do Imposto de Renda, que já está aberta para o contribuinte, quais são as novas regras para este ano? Na sua opinião, estas mudanças são positivas para a população?

    Lecir – A declaração do Imposto de Renda deste ano traz avanços importantes, especialmente com a ampliação da declaração pré-preenchida e melhorias nos sistemas da Receita Federal, que pretendem tornar o processo mais ágil e reduzir a possibilidade de erros. Vale ressaltar que, apesar dos avanços com a declaração pré-preenchida, ainda é necessária a conferência das informações.

    Também houve ajustes nos critérios de obrigatoriedade, o que exige ainda mais atenção no momento de verificar se há a necessidade de declarar.

    De forma geral, considero que são sim mudanças positivas, pois caminham no sentido da simplificação e da modernização. No entanto, é justamente nesse cenário de mudanças que se reforça a importância do profissional da contabilidade, pois é ele quem tem o conhecimento técnico para interpretar corretamente as regras, identificar possíveis inconsistências e orientar o contribuinte de forma segura, evitando erros que podem resultar em multas ou problemas com a Receita Federal.

    Mais do que preencher a declaração, o profissional da contabilidade atua de forma estratégica, analisando a situação de cada contribuinte e garantindo que todas as informações sejam prestadas com precisão e responsabilidade. Por isso nossa orientação é que na hora de declarar deve-se sempre buscar o auxílio de um profissional da contabilidade.

    Pelo Estado – O contribuinte pode fazer a declaração completa ou simplificada. Qual a diferença entre elas e qual a mais indicada?

    Lecir – Ele pode optar entre a declaração completa ou a simplificada, e a principal diferença entre elas está na forma como as deduções são aplicadas.

    Na declaração simplificada, por exemplo, a Receita Federal aplica automaticamente um desconto padrão sobre os rendimentos tributáveis, sem a necessidade de comprovar despesas. É uma opção mais prática e costuma ser vantajosa para quem tem poucas despesas dedutíveis.

    Já na declaração completa, o contribuinte pode informar e detalhar despesas como saúde, educação e dependentes, o que pode reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição, desde que esses gastos sejam significativos. Além disso, na declaração completa, o contribuinte pode destinar parte do imposto de renda para os fundos sociais, beneficiando projetos sociais voltados para a infância, adolescência e idosos.

    Não existe uma opção melhor para todos os casos. A mais indicada vai depender da realidade de cada contribuinte, por isso que reforço que a orientação de um profissional da contabilidade faz toda a diferença, pois ele irá analisar cada situação e indicar a melhor escolha, garantindo que o contribuinte pague apenas o que é devido, de forma segura e dentro da legislação.

    Clique aqui para ver a coluna Pelo Estado PE_entrevista_29-03-2026

    Produção e edição
    Por Celina Sales para APJ/SC e ADI/SC
    Contato: peloestado@gmail.com

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