PONTE RIO PEREQUÊ: PERIGO IMIMENTE

864
Compartilhar

Em Ruínas

Ligação entre os municípios de Porto Belo e Itapema tem causado preocupação entre os moradores e também vereadores há anos. O risco é diário e real. Uma análise foi feita e encaminhada à Amfri, mas devido à pandemia, não há nenhum prazo de início de uma reforma na ponte.

Cleyton Amaral

A falta de manutenção na ponte que liga o Bairro Meia Praia, em Itapema, ao Perequê, em Porto Belo, tem causado preocupação entre os moradores e também a parlamentares das duas cidades, e não é de hoje. No local, diariamente, circulam muitos veículos, inclusive pedestres. A causa do problema parece estar no jogo de empurra: há 20 anos um decreto do governo do Estado tornou bem municipal a estrutura, que até então fazia parte do mapa de rodovias de Santa Catarina. A partir daí a manutenção deveria ter ficado a cargo das prefeituras. Mas então, esbarrou em outro problema: uma cidade não pode mexer na ponte sem a outra, e sem a interferência de um convênio que autorize o investimento conjunto.

No fim das contas, a burocracia parece ter feito com que a necessidade de manutenção fosse esquecida – até que os problemas passaram a saltar aos olhos. Em 2010 a prefeitura de Itapema chegou a fazer um laudo apontando o desgaste, mas o processo não caminhou.

Na gestão do ex-prefeito, Rodrigo Bolinha, viu pessoalmente o estrago ao navegar o Rio Perequê em busca da causa de uma mancha que havia chegado à praia, e diz ter se preocupado com as vigas de sustentação. Tanto Bolinha quanto o ex-prefeito de Porto Belo, Evaldo Guerreiro, entendiam que, diante das dificuldades financeiras dos municípios, era preciso recurso estadual para mexer na estrutura.

Vereadores cobram

Em abril de 2019, o vereador Francisco Scottini, de Porto Belo enviou ofício ao prefeito Emerson Stein pedindo informações sobre a situação da ponte do Rio Perequê. Segundo “Kiko”, um laudo feito há doze anos indicou que a estrutura da ponte está comprometida. De lá para cá, afirma o parlamentar, nada foi feito.

Do lado de cá da ponte, o parlamentar Yagan Dadam vem fazendo a denúncia de descaso há tempo. O vereador, por meio do Requerimento 311/2019, destinado à Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, solicitou informações sobre ponte e se o órgão sabe da real situação da estrutura de concreto armado da ponte. Ainda este ano, um vereador de Porto Belo, já havia alertado sobre a situação da ponte em uma notícia no site da Câmara de Vereadores, mas até então, nada foi feito. Na mesma matéria, ainda diz que a manutenção da ligação é de responsabilidade dos dois municípios, conforme estabelecido por decreto do governo estadual datado de quase vinte anos.

A última informação repassada pelo parlamentar itapemense foi o Requerimento datado de 10 de maio de 2020, onde novamente, ele cobra das prefeituras um plano urgente.

Nas gestões atuais

A precariedade da ponte se arrasta de uma gestão para outra. A atual prefeita de Itapema, Nilza Simas e o prefeito de Porto Belo, Emerson Stein, estão encerrando o mandato e nada fizeram pela ponte que é a principal ligação entre as duas cidades. Nossa reportagem já realizou diversas matérias sobre o risco iminente da ponte cair, porém não há um consenso entre os dois gestores.

Nossa reportagem obteve a informação da assessoria de imprensa de Porto Belo de que uma análise foi realizada por dois engenheiros e encaminhada a Amfri (Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí). O projeto de recuperação da ligação é de responsabilidade dos dois municípios, que deverão contratar uma empresa terceirizada para execução da obra, que será acompanhada pela Amfri. Havia um cronograma para este ano, mas devido à pandemia, não prazo de reforma.

Pontes condenadas na Capital

O problema de pontes sem manutenção não é exclusivamente de nossa região. Recentemente o deputado estadual Bruno Souza (Novo), publicou através de uma rede social que as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo, que ligam a Ilha e o continente da capital de Santa Catarina, Florianópolis, correm risco de colapso. Na publicação, ele afirma que teve acesso a laudos da vistoria de ambas as pontes.

Segundo o deputado, ele tem alertado desde 2019 que o colapso das pontes “podem ser a próxima tragédia de Brumadinho”. O laudo, conforme o deputado, aponta que:

– Houve falhas ainda durante a construção das pontes que aumentaram o alcance da corrosão

– Três blocos da Colombo Salles e um bloco da Pedro Ivo precisam de reforços urgentes para não correrem risco de acidentes graves

– A empresa vistoriadora recomenda reforço estrutural urgente dos 6 blocos mais críticos.

Ele ressalta, ainda, que no estado atual, a segurança das pontes é aceitável pelos próximos oito meses. Porém, a reforma necessária deve levar seis meses – e ainda não há licitação para ela, conforme o deputado.

“Então, ou teremos as PONTES INTERDITADAS a partir de outubro por falta de segurança, ou estaremos ARRISCANDO A VIDA dos milhares de pessoas que passam por ali todo dia”, afirma, na postagem.