Professora Luiza: amor pela sala de aula e por Itapema

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Nossa Gente, Nossa História

Aos 91 anos de idade, Luiza Machado dos Santos, caminha pela casa sem precisar de ajuda, prepara doces caseiros (incríveis bolinhos de chuva) e escreve inúmeras poesias. Também ama ler, atender visitas e contar histórias que viveu quando criança, estudante, professora da cidade. A nossa colunista nos brinda todas às quartas-feiras com suas poesias em nosso impresso. Nada mais justo terminar a série de reportagem especial “Nossa Gente, Nossa História” com esta amante das letras. Observação: Dona Luiza, nós te AMAMOS!

Cleyton Amaral

Início esta reportagem saboreando os incríveis bolinhos de chuva que Dona Luiza preparou carinhosamente para nossa equipe. Depois de se aposentar, a professora se afastou das salas de aula, mas seu amor pelos livros falou mais alto e ano passado ela realizou um sonho: materializar parte da sua obra em livro, intitulado “Entre Versos e Rimas, Luiza”.

Foi no ofício de ensinar que Luiza encontrou umas das motivações para viver.


A professora lembra com carinho da sala de aula, dos alunos e de como nosso município era ainda uma tapera. Natural de Florianópolis, a manezinha da Ilha mudou-se para Porto Belo em 1930, com três anos de idade. O seu tio, o saudoso Zeferino Costa, que foi o primeiro coletor de Porto Belo foi um dos incentivadores para que ela se tornasse professora.

Luiza é filha do pescador Carlos Pereira Machado e da Maria Salomé Pereira. O casal teve outros três filhos além de Luiza (Raul, Enedina e Ondina). Seu pai trabalhava como pescador. Segundo ela, Seu Carlos atuou muito tempo com uma lancha, que vivia cheia de peixes. Ele fazia sempre o trajeto Floripa-Antonina. “Naquela época se fazia quase tudo pelo mar. As famílias faziam compras em Itajaí, compravam remédios, traziam até os mortos pelo mar… relembra”.

Os amores

Segundo nossa entrevistada, naquela época era muito comum surgir casamentos de pessoas daqui com o pessoal de Santos (SP) … E foi numa dessas que Luiza começou a namorar, por cartas, um marinheiro santista. “Ele trabalhava em navio ‘Lord Brasileiro’. Durante dois anos namoramos assim, por correspondência”, conta. Entretanto, a jovem já despertava paixão também por aqui. Um itapemense, chamado Romeu Carlos estava predestinado a conquistar Luiza. “Ele era muito conhecido de umas famílias de Porto Belo. O pessoal me aconselhava a esquecer o marinheiro e dar uma chance ao rapaz. Diziam que marinheiro tinha um amor em cada porto. Neste período, fui pedida em casamento pelo marinheiro, que, por carta, chegou até mandar um fio de seda como prova do futuro vestido… No dia 13 de dezembro, havia uma celebração no bairro Santa Luzia, em Porto Belo… e nesta festa estava o dito cujo aqui de Itapema”, lembra ela. Passados alguns dias, agora numa festa de virada de ano, Luiza e algumas amigas foram a um baile, e lá estava ele de novo, Romeu, sempre na esperança de conquistar a amada. Luiza conta que depois de tantas investidas do rapaz, acabou terminando o namoro com o marinheiro e deu uma chance para o itapemense.

Casamento

O namora entre Luzia e Romeu durou cerca de um ano e meio antes de eles subirem ao altar. A família de Romeu era toda daqui do Sertãozinho. Seu pai sempre dava um pedacinho de terra e uma casinha para que os filhos começassem a vida. E assim o jovem casal começou uma linda história de amor que frutificou em cinco filhos (Carlos Rogério, Carmelita Rose, Carmem Rose, Carlete Rosina e Clóvis).

A sala de aula

Durante 25 anos, dona Luiza se dividiu em criar os filhos e educar os filhos dos outros. Começou sua carreira como estagiária de Dona Branquinha. Depois deu aula no bairro Perequê e no Araçá, em Porto Belo. “Eram poucos alunos, éramos uma família. Aquela estrada do Araçá mesmo eu vi nascer”, relembra. Depois de casada, Luiza veio lecionar em Itapema, uma das primeiras salas foi em frente à Carpi, no Centro, onde tinha duas salas de aulas e quatro professoras. Depois ela foi para Carmela Ferner, que ficava próxima ao restaurante Cabral. A professora Luiza encerrou sua trajetória em sala de aula no Olegário Bernardes, depois de três meses de inauguração.

Nota do editor

Caro leitor, o convido a prestigiar nosso especial de aniversário de Itapema neste próximo final de semana, onde continuaremos a contar a trajetória dessa professora amada por todos.