Quem paga a conta?

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A Constituição Federal de 1988 foi gerada sob o impacto do fim da Ditadura Militar (=1964/87), tentou criar no Brasil um Estado de bem-estar social, criando despesas mil, sem preocupação com os respectivos recursos!

Consequentemente, em menos de três décadas da vigência da CF/88, colhemos os frutos da imprudência e imprevidência dos constituintes de 1988. Assim, o povo brasileiro paga impostos de países de Primeiro Mundo e conta com serviços públicos de Terceiro Mundo, equivalentes aos dos países mais pobres da África e Ásia. Economistas críticos dizem que somos a Belíndia (=mistura de Bélgica e Índia). Justificando essa situação, o Ministério das Fazenda culpa o déficit da Previdência (=270 bilhões de reais, em 2017), como o principal responsável de drenar os recursos públicos que poderiam ser usados para qualificar a Educação e a Saúde nacionais.

Portanto, é incoerente o fato de que os políticos esquerdistas, ao mesmo tempo, em que defendem o “status quo” do nosso bem-estar social, também sejam contra a aprovação da Reforma da Previdência, já que sem reforma, logo o País não poderá pagar os seus aposentados!

No ano de 2016, cada servidor público civil aposentado recebeu 1300% a mais do que o inativo do INSS. Daí nota-se o porquê dos sindicatos e associações dos servidores públicos cheguem até a invadir o Congresso Nacional, a fim de evitar a Reforma Previdenciária!

Neste momento, lembro-me duma palestra do grande economista Roberto Campos, quando disse: “A CF/88 prometeu uma seguridade social sueca com recursos moçambicanos.”! Embora gastemos 25% do PIB nacional para tentar atendar às demandas constitucionais, vê-se que a metade disso foi pelo ralo previdenciário; portanto, é lógico que não vai haver recursos que demandam às demais demandas sociais : educação, saúde, segurança e desenvolvimento! Dos 12,5% remanescentes, e, 2016, 6% foi para a Educação e 4,5% pra a Saúde. Portanto, o Governo Federal fica sem condições de melhorar as nossas condições nas áreas necessárias, o que causa o presente caos nos serviços públicos federais, o que explica o baixo índice de popularidade do governo, enquanto os artífices da presente calamidade (=13 anos do desgoverno petista e corrupção vulcânica), apresentam-se por aí como os novos salvadores da Pátria, aparecendo bem nas pesquisas eleitorais!

Nesta oportunidade, também quero lembrar a lição do nosso economista Delfim Neto: “Não existe sopa de graça, o povo sempre acaba pagando a conta…”.

Assim, caros amigos, do novo governo a ser eleito pelos nossos votos diretos e secretos, devemos cobrar, acima de tudo: a) respeito à Democracia e da República; b) ética e moralidade na administração pública; c) criar metas de desenvolvimento e cumpri-las, possibilitando emprego e melhor renda aos que trabalham; d) compreensão da natureza da administração pública; e) acabar com os privilégios e mordomias na administração pública e na remuneração e vantagens dos servidores públicos; f) atualização da nossa legislação criminal e civil, a fim de que não se repitam os fatos que geraram a Operação Lava-Jato.

Enfim, saibamos todos nós (= o povo) que seremos responsáveis pelo futuro do nosso País, portanto, vamos votar com consciência e não dar ouvidos para o canto de sereia dos populistas e pretensos salvadores da Pátria (=Collor, Dilma, Lula e cascalhada que os cercara), pois ainda existem políticos sérios em nosso amado Brasil!

Itapema, 25/01/2018 – Stalin Passos – sociólogo, economista e professor.