“Quem tem câncer não pode esperar”

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Rede Feminina de Combate ao Câncer de Itapema faz apelo na Tribuna da Câmara por mais agilidade no atendimento do SUS

“As Redes municipais e estaduais se unem em milhares de vozes que não podem ser caladas, para dizer: preciso viver!”. Num manifesto nacional, as Redes Femininas de Combate ao Câncer buscam sensibilizar governo e autoridades para a morosidade no atendimento aos pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Presentes na Sessão Ordinária desta semana na Câmara de Itapema, realizada dia 08/05, as voluntárias de rosa cobraram o cumprimento da Lei nº 12.732/2012 que diz: “o paciente com neoplasia maligna, tem direito de se submeter ao primeiro tratamento pelo SUS, no prazo de 60 dias após o diagnóstico, ou em menor prazo, conforme a necessidade terapêutica”.

A voluntária Íria da Rosa foi a porta voz da Rede Feminina de Itapema e trouxe dados alarmantes no seu pronunciamento na Tribuna do Povo: Santa Catarina é o terceiro estado com mais mortes por câncer; em um, a cada três municípios catarinenses, o câncer é a principal causa de morte. “Por isso pedimos pressa! Quem tem câncer não pode esperar. Essa Lei dos 60 dias só existe no papel”, frisou Íria.

A voluntária também traçou um comparativo entre o tempo de diagnóstico e início do tratamento no sistema particular, conveniado e público: “no particular, o paciente inicia o tratamento em 15 dias; pelo plano de saúde, em menos de 30 dias; pelo SUS, isso pode levar de quatro a 17 meses, segundo levantamento que as Redes Femininas fizeram com suas pacientes”, lamentou.

Ela pediu apoio da Câmara de Vereadores, para que os parlamentares transmitam o recado de urgência da Rede Feminina à Prefeituras, Governo Estadual e Deputados. “Se o tratamento fosse feito pelo tempo hábil, não teríamos tantas mortes. Sabemos das dificuldades que o país atravessa, mas sabemos que existem recursos. Então o poder público precisa de organizar, o que não pode é um paciente dessa gravidade ficar sem tratamento”, cobrou Íria.

O presidente da Câmara, vereador Xavier Legarrea (MDB), destacou que foi o autor de uma Lei Municipal (3654/2017) no ano passado, que institui o programa “Programa de atendimento das pessoas diagnosticadas com câncer” nas unidades de saúde do Município de Itapema. A legislação, em vigor no município, torna obrigatório “o agendamento de consultas ou exames, no prazo máximo de 72 (Setenta e duas) horas, após o encaminhamento médico”, para pacientes diagnosticados com a doença.

5 anos para ser atendida pelo SUS

A Rede Feminina de Itapema trouxe uma de suas pacientes, Roseli Freitas, para contar sua experiência ao plenário itapemense. No seu breve relato, Roseli deixou exposto o sofrimento de aguardar cinco anos pelo atendimento ao seu caso: “mesmo indo sempre a Itajaí, Florianópolis, não consegui tratamento. Uma hora não tem médico, outra não tem medicamento. Nesse tempo, meu câncer se espalhou pelo pulmão. Tirei uma mama, e agora estou prestes a tirar a outra”, disse emocionada. Roseli relatou o sofrimento que o paciente já enfrente pela natureza do tratamento e deixou seu apelo: “é dolorido, é cansativo, é muito triste. Já vimos tanta gente morrer. Pedimos ajuda para termos mais condições, o SUS não está bom”, finalizou.

 

Dia Nacional do Combate ao Câncer

A partir de 2019, o país vai ter ações concentradas, com a instituição do Dia Nacional do Combate ao Câncer, que vai ser sempre no dia 08 de abril. A Rede Feminina de Itapema comunicou que, a cada ano, um novo tema vai nortear as campanhas nacionais da entidade. Esse ano, o lema da campanha é o apresentado pelas voluntárias na Câmara de Itapema: “quem tem câncer, tem pressa!”.