Resenhas de Seu Dato, o pescador da Meia Praia

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Nossa Gente, Nossa História
Eles entram no mar quando o sol está nascendo e voltam quando já está entardecendo. Jogam a rede de pesca, esperam ela afundar, torcem para a leva de peixe ser boa quando puxam e jogam novamente a rede….  Esses movimentos fazem parte da vida de um pescador. E, para encontrar o personagem desta semana da nossa série especial, fomos conhecer Seu Iliodato João Correia, profissional do mar nativo da Meia Praia.

Cleyton Amaral

Pelo nome completo talvez ninguém o conheça nas redondezas da Meia Praia, mas é só perguntar pelo Seu Dato que todos sabem quem é. Pescador nativo e muito querido pelos itapemenses, seu Dato é o personagem da nossa série especial. O filho mais velho de nove irmãos da família Correia, que remonta ao período da colonização da antiga vila Tapera. Aos 24 anos, vendeu por 24 contos de reis a junta de bois que possuía e comprou sua primeira bateira de pesca. Aos poucos se tornou mestre de pesca reconhecido na região pela maneira solidária como distribua peixes à população mais carente. Seu Dato, hoje, acompanha, sentado no Calçadão, os filhos que ainda pescam, ajuda a remendar a rede. Ele é a memória viva da história da Meia Praia.

Filho do saudoso casal João Bento e Dona Rosa Alves, seu Dato aprendeu o ofício com o pai. Ele praticamente nasceu no mar. Seu João Bento teve mais oito filhos com com Dona Rosa, todos criados com o trabalho artesanal da pesca em Itapema. Aos sete anos, o pequeno Dato já acompanhava o pai na lida, tanto que foi nesta idade que ele ganhou a sua primeira tarrafa. Seu Dato cresceu, casou-se com a Dona Noreni, com quem teve três lindos filhos.

Solidariedade

Entre tantas histórias que seu Dato conta, as que ele mais se orgulha são as de solidariedade. Uma vez, para agradecer os pescados, ele a esposa, colocaram centenas de peixes e foram distribuir com uma carrocinha aos outros itapemenses que não podiam comprar. Uma vez, como ele mesmo lembra, o mar lhe retribuiu com um grande lanço de sardinhas. Um senhor “da cidadã” ofereceu a ele uma “merrequinha”, como ele mesmo conta pelos peixes. Seu Dato recusou e preferiu levar o pescado para doação e assim fez. “Levamos até a comunidade do Sertão do Trombudo, lá eu e a minha família distribuímos aos moradores. Eles ficaram tão alegres, que meses depois, quando encontrava um ou outro, sempre me agradeciam. Ensinei a eles, inclusive a salgar o peixe, pois muitos não tinham geladeira, para que o peixe durasse mais tempo”, conta o pescador solidário.

Viúvo há alguns anos, Seu Dato mora com a filha, que, segundo ele, não deixa faltar nada. A sua rotina é ir sempre ao Calçadão da Meia Praia, na altura das ruas 241 e 243, onde ficam suas embarcações e lá fica admirando o mar, lembrando dos tempos idos. Ele adora conversar, contar histórias e conhecer novas pessoas… uma ótima oportunidade para os novos itapemenses conhecerem um pouco da nossa história.