Rodoviária esquecida no tempo

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Mais do que um local de embarque e desembarque de passageiros, uma rodoviária pode ser considerada a porta de entrada para milhares de turistas que viajam de ônibus na temporada de verão e também durante o ano inteiro. Pode ser considerada um cartão-postal da cidade e é responsável por dar as primeiras impressões aos visitantes. Em Itapema, há anos o terminal rodoviário vem sofrendo com a falta de reparos, dando assim a impressão de ter ficado esquecido no tempo.

Cleyton Amaral

Quem desembarga na rodoviária de Itapema tem a nítida sensação de ter voltado no tempo. Porém esta nostalgia não é sinônimo de uma lembrança boa, pelo contrário. Os passageiros que ali descem e sobem diariamente encontram um ambiente descuidado, sujo, sem manutenção, com cara de desleixo, inóspito mesmo, que remete à década de 80. E a situação está assim há bastante tempo.

Localizado na Rua 600, número 323, Tabuleiro dos Oliveiras, o prédio que tem uma área total de 6.753,60 m², e conta com 10 plataformas de embarque e desembarque. Administrada pela Concessionária Casetex, desde 1996, a rodoviária recebe uma média de 10 mil passageiros por mês, e esse número triplica na temporada, época em que as pessoas aproveitam o clima bom e as férias para curtir uma praia.

No terminal há bancos de espera, para quem precisa aguardar tem que ter paciência uma certa boa vontade de aguentar horas sentados desconfortavelmente. É possível encontrar lanchonete e banca de jornais e revistas.

Há estacionamento é ao ar livre, nos dias de chuva igual a última sexta-feira, dia 12, muitos passageiros têm que se molhar até conseguir acessar as plataformas. Há também um ponto de táxi, para quem necessita do serviço, sem infraestrutura nenhuma tanto para os profissionais como para os usuários. Os banheiros sem higiene dão a impressão que o local realmente ficou no passado, não evoluiu.

Muitas reclamações, poucas soluções

O terminal de Itapema é alvo de reclamação dos moradores todos os anos, especialmente na temporada, devido as condições precárias, como ferrugem, portas sem vidro, cadeiras antigas, plataformas de parada dos ônibus quebradas e taxistas em local improvisado. A prefeitura, na antiga gestão municipal, chegou a pedir a rescisão do contrato de concessão com a empresa Casetex, que detém a concessão. De acordo com alguns funcionários que preferiram não se identificar, foram consertadas goteiras e grades enferrujadas, porém que melhorias de maior impacto dependem do orçamento da empresa e do reajuste da taxa de embarque.

Denúncia ao MP

O cenário de precariedade da rodoviária fez com que moradores denunciassem ao Ministério Público sobre a situação ainda no ano de 2014. A prefeitura da cidade chegou a encaminhar uma notificação para a concessionária que administra o terminal para que os problemas sejam solucionados o quanto antes. Depois de receber a notificação, a empresa teria 90 dias para concluir as melhorias necessárias na infraestrutura, o que não foi feito. Na época, engenheiros da Secretaria de Planejamento Urbano fizeram uma vistoria no local e constataram que a empresa não fez todas as reformas necessária.

Falta manutenção

Usuário da rodoviária Pedro Azevedo disse que falta muita coisa para que a situação do terminal melhore. Segundo ele, a administração do local não se preocupa com a conservação e manutenção do imóvel. Jussara Silva Cavalcante também usa a rodoviária com frequência e diz que ela está abandonada:

— Está precisando de cuidados e ninguém faz nada.

A rodoviária de Itapema recebe por mês cerca de 10 mil passageiros, que embarcam e desembarcam no terminal. A reportagem entrou em contato com a Casetex, mas não havia nenhum responsável pela empresa trabalhando até o fechamento desta edição.