Sem pedágio, sem voluntariado

522
Compartilhar

Alzira Hirt é conhecida em toda região por seus trabalhos sociais há anos. Na Páscoa, sua casa se transformava na “Toca da Coelha”. No Natal, sua residência virava “A Casa da Mamãe Noel”. No Dias das Crianças, muitas cartavam chegavam pedindo presentes…

Isso mesmo: transformava, virava, chegava… tudo no passado.

Cleyton Amaral

Foi com grande pesar que uma das voluntarias mais ativas de Itapema e região decidiu parar com os trabalhos de assistência, devido a um impasse burocrático. Moradora de Itapema, Alzira Hirt, decidiu parar. Não por vontade própria, mas, sim, por falta de apoio e sensibilidade do poder público. Seus trabalhos sociais extrapolaram as extensões territoriais de Itapema há muito tempo. Sua dedicação e de sua fiel turma, chegaram a outros municípios, ganhando manchetes em jornais e TV’s regionais, nacionais e até internacionais.

Entretanto, desde que uma lei municipal foi aprovada em janeiro de 2017, proibindo o pedágio beneficente em vias do município, o trabalha da “Dona Coelha” ou “Mamãe Noel” ficou ainda mais árduo e difícil, como ela mesmo explica. “Todo mundo sabe da minha idoneidade, sabe o quanto contribuímos com as famílias que mais precisam em nosso município. Nosso trabalho é referência e fundamental para muitas famílias e crianças, que depositam, por meio de cartinhas, ora endereçada à Mamãe Noel, ora endereçada à Dona Coelha, a vontade de realizar um simples desejo. Seja um presente ou chocolate. Vale destacar que a grande maioria das cartas também pede cestas básicas, na qual, nossas voluntárias se desdobravam para poder atender àquela família. Nosso trabalho vai muito além de atender as cartinhas, nosso trabalho também atinge às famílias destas crianças, trazendo um pouco mais de felicidade a cada lar”, destaca Alzira Hirt.

O que diz a Lei

A Lei Municipal 3.618, de 20 de janeiro de 2017, aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pela prefeitura, estabelece a partir da sua publicação a proibição, no município de Itapema, a realização de qualquer atividade que importe em obstáculo ao trânsito, como o malabarismo e pedido de contribuições financeiras, inclusive pedágios de cunho beneficente, como qualquer manifestação de cunho artístico (malabarismo e outros).

Entretanto, a lei só autoriza o pedágio beneficente desde que a entidade esteja previamente autorizada, por escrito, pela autoridade de transito. Deverá a entidade no momento da solicitação da autorização, comprovar que está devidamente cadastrada junto aos órgãos públicos competentes. Deverá a entidade, no momento da solicitação da autorização, comprovar documentalmente o seu cadastro como entidade que realiza atividades beneficentes. Os referidos eventos deverão acontecer no período compreendido das 08h00min até as 13h00min. A realização do evento sem as devidas autorizações acima previstas, acarretará na aplicação das sanções previstas no Art. 75 desta Lei.