Seu João e dona Ozória

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No Sertãozinho, uma casa cheia de amor e de boas memórias

 

Das pessoas mais queridas e respeitadas do bairro do Sertãozinho, em Itapema, o lavrador e a benzedeira casaram e viveram por toda a vida ali. Até a casinha, a mais antiga da comunidade, resiste ao tempo e na memória de quem conheceu este querido casal de itapemenses.

 

Cleyton Amaral*

 

Nesta reportagem especial do jornal A Hora, com a colaboração do professor Paulinho Nascimento, da secretaria municipal de Cultura, vamos reportar um pouco da linda história de amor e de vida de dois itapemenses ilustres e que merecem ser conhecidos pelos os mais novos, o seu João e dona Ozória, do Sertãozinho.

 

Entre todas as pessoas antigas e que foram referências na nossa história, vamos hoje registrar a história do senhor João e dona Ozória, através do depoimento de suas filhas, Maria do Carmo e dona Carlota.

 

Das pessoas mais queridas e respeitadas do bairro do Sertãozinho, o senhor João era o lavrador, pai de sete filhas e chefe de uma família muito honrada, digna e querida por todos. Ele conheceu dona Ozória no bairro do Tabuleiro das Oliveiras, casaram e vieram morar nas terras de seu pai, o qual já possuía um grande engenho. O senhor João e sua esposa ali viveram por mais de sessenta e sete anos.

 

Dona Ozória era famosa benzedeira e fervorosa católica que chegou a ir à Fátima, em Portugal e à Roma, na Itália, realizando seu grande desejo. Aos 80 anos, reuniu os filhos e netos em uma festa linda, na colina dos Lucianos, do alto desta a família viu não só a evolução do bairro como também da cidade, observaram a linha que servia de picada passar a ser estrada e hoje asfaltada.

O engenho do senhor João Alberto produzia farinha, biju, cuscuz, roscas de polvilho e massa e era muito famoso, sendo referência aos turistas e pessoas de toda a região, os vizinhos se reuniam para auxiliar nas produções e o engenho chegou a receber uma equipe de reportagem do Mato Grosso do Sul.

 

O dom de Ozória

 

Pessoas de todos os lugares vinham para receber a benção de dona Ozória que realmente possuía um maravilhoso dom. Nesta reportagem, descobrimos que o bairro do Sertãozinho possuía vários arrozais, ouvimos sobre os cafezais e as lendas antigas de lobisomens e assombrações. Os dinheiros enterrados e descobertos no bairro e as muitas histórias contadas à noite a luz de querosene que dava ao bairro ao anoitecer um ar de mistério. Registramos também as muitas histórias com cobras, os muitos acidentes, alguns até fatais.

 

Aterro sanitário na cidade

 

O senhor João Alberto foi dos primeiros preservadores das matas, homem muito correto e justo que lutou muito contra o lixão, instalado no alto do Morro do Encano, nas suas terras e do senhor Dato por doze anos, até a sua retirada. Com muita garra, perseverança e dedicação, conseguiu afastar da cidade este pesadelo fedido.

 

Pai só de moças

 

Um pai amoroso, carinhoso que educava com o olhar, as filhas Maria Carlota, Maria do Carmo, Marlene, Marli, Marlete, Marcia e Marisa (Dona Ozória quem escolhia os nomes), porém o grande sonho do senhor João era um filho homem, sonho que ele realizou como avô, chegando a desejar registrar o primeiro neto homem, Cristiano como seu filho. Um avô apaixonado pelos netos acordava de madrugada para brincar com Adriano seu outro neto.

 

Dona Ozória benzeu até sua partida e seu enterro foi acometido de grande emoção e muitas pessoas, uma história de amor e carinho que deixa no coração de todos uma grande saudade, cada vez que se passa frente a sua casa, hoje a mais antiga do bairro do sertãozinho, em direção ao restaurante Indaiá, que guarda algumas peças do antigo engenho, infelizmente demolido.

Saudade dos caldos de peixe, das comidas e banquetes feitos por dona Ozória, nos muitos casamentos que ela realizou na cidade, saudade do seu João divertido e faceiro erguendo o braço e cumprimentando quem passava na estrada, saudade do que foi bom e assim deve ficar eterno, muito obrigado por ser a nossa história.

 

Com colaboração professor Paulinho Nascimento, departamento de Cultura de Itapema.