Uma História da Nova Rússia – Blumenau

1152
Compartilhar

Durante os anos de minha adolescência fui escoteiro do Grupo Leões de Blumenau e um certo dia resolvemos ir acampar na Nova Rússia. Um lugar lindo e fantástico na época, sem nosso chefe. No período da manhã conhecemos as minas e depois fomos subir o monte mais alto. Mata a dentro, como logo escurece montamos acampamento em um determinado ponto e lá pelas cinco horas da tarde com uma fogueira acessa, os cinco jogávamos conversa fora quando algo nos surpreendeu.

Ouvimos um barulho de passos pesados no meio do mato morro a baixo, vindo em nossa direção. Todos ficamos apreensivos e na hora pensei na história do menino que desapareceu ali, naquele lugar, pensei em onças, bichos, cobras… olhamos de longe e entre as árvores e o mato vimos um homem alto, camisa bege, botas escuras e um chapéu, quando olhei de novo, vi uma moça de vestido comprido, bem morena, quase da minha cor. foram caminhando no mato até sumir de vista. Contornando o ponto em que estávamos. O fato teria passado em branco se a noite os passos não tivessem voltado. O mesmo barulho. Saímos da barraca e iluminamos o mato e de repente, se viu um homem negro, bem negro no meio do mato, nos olhando bem sério, apavorados, gritamos com ele e o mesmo, nos olhou e subiu o morro no escuro e em silêncio.

Todos nós ficamos apavorados, recolhemos nossas coisas e voltamos na hora para a estrada assim que foi possível. Lembro que eram duas horas da madrugada, fomos bater na casa mais por cima. Uma senhora de origem alemã nos atendeu e vendo nosso pavor nos acolheu em sua casa com sua família, até o dia clarear. De manhã nos falou a história da escrava e do negro. Contou que antes do Dr. Blumenau chegar os russos estavam no Garcia, minerando com escravos.

Entre eles uma jovem escrava muito bonita, fazia a comida e servia os russos. Se conta que um jovem da família Dias se enamorou por ela como não a vendiam, e ele não tinha dinheiro, decidiu fugir. Com a ajuda de um negro, que fora enforcado por castigo. Esta senhora nos contou que seu avô contava esta história e hoje registro o fato do que ocorreu veridicamente comigo e mais quatro amigos, o que era, até hoje não sei.