Vai ter negros em cargos de diretoria sim!! (coluna Paulinho)

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Nas últimas semanas, o processo de trainees da Magazine Luiza exclusivo para candidatos negros gerou muita discussão. A empresa de varejo decidiu adotar a medida para melhorar a diversidade após ver que 53% de seus funcionários são negros, mas apenas 16% ocupam cargos de liderança.

A ação afirmativa incomodou uma parcela da população e o Ministério Público do Trabalho chegou a receber denúncias de discriminação, mas todas foram rejeitadas. No Twitter, o perfil da Magalu se pronunciou: “Estamos absolutamente tranquilos quanto à legalidade do nosso Programa de Trainees 2021. Inclusive, ações afirmativas e de inclusão no mercado profissional de pessoas discriminadas há gerações fazem parte de uma nota técnica de 2018 do Ministério Público do Trabalho”.

Pessoas também acusaram a empresa de praticar “racismo reverso”. Uma reportagem da revista Claudia explica o conceito: “uma das lendas que surgiu em resposta ao período pós-apartheid na África do Sul, no qual medidas para reparar a falta de negros no serviço público foram implementadas, e ao movimento dos direitos civis nos EUA, que também gerou ações para reduzir o abismo social entre afrodescendentes e brancos”.

A matéria (vale muito a leitura, aliás!) explica que os danos da escravidão são sentidos e alimentados até hoje pelo racismo estrutural. “Governo, instituições e empresas giram uma máquina em todos os países, que é responsável pela ausência de direitos básicos e falta de reparação histórica aos pretos e pardos”. Diante disso, não é possível falar que exista uma opressão de negros em relação aos brancos.

Segundo levantamento do IBGE em 2018, quase 70% dos cargos de liderança no país são ocupados por brancos e 66,1% da força de trabalho preta ou parda são subutilizadas no Brasil.

Afro Presença

Em ótima hora, com o assunto bastante em pauta, nos dias 30 de setembro, 1 e 2 de outubro, acontecerá o Afro Presença. Trata-se de um evento virtual voltado para a inclusão de jovens negros e negras universitários no mercado formal de trabalho. É idealizado e coordenado pelo Ministério Público do Trabalho e tem realização do Pacto Global da ONU.

Nos três dias de evento haverá oficinas de recursos humanos, painéis com universidades, empresas, agências de publicidades e escritórios de advocacia, além de promoção de debates com a sociedade sobre o mercado de trabalho onde negras e negros precisam ser inseridos, com o apoio de entidades, organismos internacionais e nacionais.

As empresas apoiadoras da Afro presença são: Ambev, Anima, Basf, Bayer, Belgo, Bradesco, B2W, Coca Cola, Colgate, EF, Febraban, Google, Itaú, John Deere, JP Morgan, LinkedIn, Mattos Filho Advogados, Natura, PWC, Santander, Suzano, TIM, TOTVS, Unilever, Vivo, White Martins e YDUQS.

Além de oficinas de capacitação, palestras e debates, os jovens negros terão acesso a vagas de emprego e compartilhamento de currículos com empresas

Para participar, basta acessar o site www.afropresenca.com.br e preencher o formulário de inscrição. As inscrições estarão abertas até o final do evento (2 de outubro).