Vó Domitila: a mulher mais velha de Itapema

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Nossa Gente, Nossa História

Negra, guerreira, batalhadora e centenária. Nasceu no Sertão do Trombudo. Dona Demetilde Hercília Batista, ou dona Domitila, como ficou mais conhecida vê os dias passarem, sentada na sua varanda. Com um sorriso lindo, que conquista fácil os corações alheios, a senhorinha tem muita história para contar, na verdade, ela é a própria história viva!

 

Cleyton Amaral

 

Rainha que é rainha nunca perde a majestade. Na sua casa simples, de madeira, na rua 120, quase em frente à Câmara de Vereadores de Itapema, Dona Demetilde Hercília Batista, ou dona Domitila, como ficou mais conhecida, vê os dias passarem, sentada na sua varanda. Por vezes, pega o cabo da inchada para dar um jeitinho em sua horta, coisa que ela faz com carinho e delicadeza. Tudo o que conquistou foi graças ao suor do seu rosto e a força de seus braços. Além do trabalho na roça, lavou roupa para fora por toda a vida, se aposentando como lavadeira. Foi casada com o saudoso Aníbal José Firmo, marido branco, como ela lembra, mas que tinha um coração sem cor, só amor! Com ele teve 8 filhos, que frutificaram em 27 netos, 49 bisnetos e 13 tataranetos. Hoje é mulher mais velha de nosso município. Com um sorriso lindo, que conquista fácil os corações alheios, a senhorinha tem muita história para contar, na verdade, ela é a própria história viva!

Sua idade é incerta, pois quando nasceu não registravam as crianças, por isso os familiares acreditam que ela tenha entre 102 e 106 anos, entretanto, no documento oficial ela teria 98 anos. Na pequena varanda, sentada na poltrona, ela falou à reportagem, lembrou de tempos idos, do início da nossa cidade, dos primeiros moradores. Nasceu e cresceu no bairro Sertão do Trombudo, interior do município. De família simples, aprendeu e mexer na roça, plantava de tudo um pouco. Quando casou com seu Aníbal veio morar no Centro, onde também aprendeu a lida com o mar… ela adorava pegar siri!

O primeiro agente funerário

Seu Aníbal foi o grande amor de Dona Domitila. Ele também foi um dos primeiros agentes funerários da nossa cidade, ofício que aprendera com o pai. A senhorinha conta que naquela época não havia os tradicionais caixões, e toda vez que alguém morria, seu marido era incumbido de fabricar artesanalmente o caixão com as madeiras que dispunha. Seu Aníbal chegou a fabricar o próprio caixão, no qual foi enterrado quando partiu há mais de 30 anos. Viúva, dona Domitila, mulher de fibra, não desistiu, terminou de criar os filhos com o serviço de lavadeira, profissão da qual ela sente um orgulho danado. “Uma coisa sempre dizia aos meus filhos, nunca mexam com o que é dos outros, pedir não feio…”

Atualmente Dona Domitila vive em sai casa, na rua 120, e os filhos se revezam semanalmente para não deixar a matriarca da família sozinha. No dia 22 de junho ela completa mais um ano… e deseja ainda continuar vivendo, com simplicidade e cuidando da sua hortinha!

 

Especial do A Hora

Neste ano de 2019, o jornal A Hora começa a prestar uma singela homenagem os moradores mais antigos de nossa cidade. Aguardem leitores, mais histórias virão…