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    Governo amplia cota da tainha após mobilização de pescadores e pressão de Santa Catarina

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    Suspensão da pesca de arrasto de praia gerou reação de comunidades pesqueiras; ampliação da cota pode permitir continuidade da safra após publicação de portaria federal

    A tradicional safra da tainha em Santa Catarina ganhou um novo desdobramento nesta semana após o Governo Federal anunciar a ampliação da cota destinada à pesca artesanal de arrasto de praia no litoral catarinense. A decisão ocorreu poucos dias depois da suspensão da modalidade, determinada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura quando as capturas atingiram 90% do limite autorizado para a temporada de 2026.

    O encerramento antecipado da atividade provocou forte reação entre pescadores, colônias de pesca, entidades representativas e autoridades estaduais. A principal reclamação é que apenas Santa Catarina possui uma cota específica para o arrasto de praia, modalidade considerada patrimônio cultural e uma das tradições mais antigas do litoral catarinense.

    Neste ano, a cota para o arrasto de praia foi fixada em 1.332 toneladas, cerca de 20% superior ao limite adotado na safra anterior. Mesmo assim, a marca foi alcançada em pouco mais de um mês de atividade, impulsionada pela grande presença de cardumes na costa catarinense.

    pesca da tainha
    Pescadores fazem divisão dos peixes no Pântano do Sul – Foto: IDP Pesca Artesanal

    Segundo representantes do setor pesqueiro, o modelo atual gera desigualdade entre os estados, já que outras regiões do país também realizam a pesca artesanal de arrasto, mas não enfrentam as mesmas limitações. O Governo de Santa Catarina defende a revisão das regras e argumenta que a própria dinâmica natural da migração da tainha já funciona como um fator limitador da atividade.

    Diante da mobilização, o Ministério da Pesca convocou reuniões técnicas e anunciou a ampliação da cota destinada aos pescadores artesanais do litoral norte catarinense. A medida foi divulgada oficialmente na terça-feira (9), embora a retomada da atividade ainda dependa da publicação de uma portaria conjunta dos Ministérios da Pesca e do Meio Ambiente.

    O tema também chegou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comentou o assunto durante agenda pública e afirmou ter sido informado sobre a insatisfação dos pescadores catarinenses. Segundo ele, ministros foram acionados para buscar uma solução que permitisse o equilíbrio entre a preservação da espécie e a manutenção da atividade econômica das comunidades tradicionais.

    Enquanto aguardam a regulamentação oficial, pescadores seguem mobilizados para garantir a continuidade da safra. Para milhares de famílias do litoral catarinense, a pesca da tainha representa não apenas uma fonte de renda, mas uma herança cultural transmitida de geração em geração e um dos símbolos mais fortes da identidade pesqueira do estado.

    Por Mauro Ramalho

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